O negócio é rentável e agrada não apenas empresários, mas também turistas e brasilienses que procuram uma opção de lazer diferente e relaxante na capital federal. E em um dos seus maiores cartões postais: o Lago Paranoá. Ali, uma alternativa de diversão pode custar R$ 15 ao cliente e render R$ 15 mil, a depender do negócio dos empreendedores, entre atividades esportivas e aluguéis de barcos.A onda de empresas que trabalham com esportes e eventos no lago pegou. Resultado de um trabalho que começou há 20 anos, quando empresários ousaram em um negócio que deu certo. Canoagem, velejada, wakeboard, windsurf e a tendência do momento, o stand up paddle (SUP), viraram uma excelente forma de entretenimento e de ganhar dinheiro.
Associação
A tendência é de crescimento desse mercado feito no atraente Lago Paranoá. Tanto que há quatro anos foi criada a Associação Brasiliense das Empresas de Eventos e Turismo no Lago Paranoá (Abeetur). Com o intuito de facilitar um intercâmbio com as empresas que trabalham nesse ramo e também de ajudar a própria Marinha, a associação conseguiu hoje fazer um panorama das pessoas envolvidas com o turismo no lago, principalmente aquele ligado a embarcações comerciais.
Presidente da Abeetur, o empresário Darse Arimatéa Ferreira Lima mostra que existem cerca de dez companhias que trabalham com comércio nas águas do Distrito Federal. Seis dessas, associadas.
“E são mais de 500 pessoas envolvidas com esse turismo de negócio no lago. Isso em relação aos eventos feitos nos barcos. Não temos como administrar os de esportes como o SUP, já que estes não contam ainda com associação. É um mercado que pulsa cada vez mais”, frisa.
Para reforçar esse crescimento, Lima, que também é proprietário da Mar de Brasília Educação e Turismo Ambiental, espera mais atenção, principalmente do governo. “Falta um apoio. Os barcos ficam espalhados por vários clubes e pontas do Lago Paranoá. Espero que o novo governo crie um pier , um cais para as embarcações no Lago Sul. Essa seria uma primeira solução” , declara.
festas
Dona da empresa Barca Toa-Toa, Elayne Borba foi uma das pioneiras em trazer os barcos como forma de entretenimento para o Lago Paranoá. Há 20 anos, ela e o marido chegaram de Goiânia (GO) com a própria embarcação e a ideia de “encher os bolsos”. Eles fundaram o negócio e já passaram pelos clubes Asbac, AABB e no próximo ano pretendem ir para a Orla do Lago Norte.
“Fazemos às vezes cinco festas por mês. E na embarcação conseguimos carregar 200 passageiros. O valor varia entre R$ 1,8 mil e R$ 8 mil. Depende do que o cliente vai querer, se é um evento com show, pista de dança e open bar. O passeio é de quatro horas. De fato, pode-se dizer que é um forte negócio”, revela. E se cada festa custar em torno de R$ 4 mil e a média de cinco por mês se mantiver, a empreendedora vai faturar R$ 20 mil.
Para entreter e garantir a renda
Aos fins de semana, o lago vira um verdadeiro formigueiro. Muita gente chega em busca do stand up paddle (SUP), aquele esporte praticado com um remo em cima de uma prancha. Aí vale o equilíbrio de remar em pé, e a diversão agrada os brasilienses.
Acompanhando a tendência, o casal Deuza de Lopes e James Radde criou há dez anos a Clube do Vento. Uma empresa que deu certo. De quarta-feira a domingo, das 9h às 16h30, o Clube Naval (Setor de Clubes Sul) fica lotado de pessoas que vão à sede da companhia para praticar SUP e windsurf.
“Estamos satisfeitos. Contamos com mais de cem pranchas, e nos fins de semana com sol o público passa de 200 por dia. Lucramos às vezes em torno de R$ 15 mil mensais. Depende muito. É interessante porque as pessoas gostam. Afinal, o lago é nosso mar”, exclama Deuza. A Clube do Vento cobra R$ 35 para praticar uma hora e meia de SUP. Sócios do Clube Naval pagam R$ 20.
A população comparece e agradece. O administrador José Maria, 58 anos, faz questão de aproveitar um sábado ou domingo para praticar SUP com as filhas Nicole Vianna, 9 anos, e Bárbara Vianna, 14. Eles agora passaram a levar a amiga Débora Pereira, 19.
“É um programa agradabilíssimo. Somos cariocas e achamos uma excelente forma de entretenimento em Brasília. Com a bela paisagem do Lago Paranoá, podemos praticar esportes, relaxar. Compareço pelo menos de 15 em 15 dias com minha turma”, destaca José.
O casal Manuela Santos, 27, e Rodrigo Moura, 27, também achou um programa diferente para namorar. Eles vão ao lago fazer SUP e dar boas risadas quando um cai da prancha. “É uma forma de lazer diferente, refrescante”, diz Rodrigo.
Pranchas vistas por todos os lados
No Calçadão da Asa Norte, o pier fica lotado de pranchas e caiaques. Isso porque os empresários André Luis, 35 anos, e Galdino Rebolças, 48, resolveram investir forte no turismo. Eles abriram a empresa Caiaque Brasília e afirmam: “Temos lucro diariamente. Faça sol ou faça chuva. Cobramos R$ 10 a meia hora e R$ 15 a hora. No fim de semana, cerca de 500 pessoas passam por aqui para praticar”.
Quem está ali todo fim de semana é Isabel Cecília, 74 anos. “Adoro vir para cá ver o lago e meus netos se divertirem. Quando eles deixarem, vou fazer SUP ou andar de caiaque”, fala, sorridente.
As estudantes Rafaela Mello, 14 anos, e Brenda Garcia, 16, também estão sempre por lá. “Se não aqui, em outros pontos do lago que ofereçam esportes”, ressalta Brenda.
Quem também entrou na onda é o vendedor ambulante Fernando Bezerra. Ele oferece água de coco, cervejas, refrigerantes e salgadinhos. “Ganho minha vida aqui. Mas é ralação. Tenho que vir todo dia. Dá para tirar uns R$ 2,5 mil por mês”, revela.
Após trabalhar como piloto de Marinha Mercante, Pedro Jorge de Castro decidiu aproveitar o conhecimento para empreender no Lago Paranoá. Primeiro veio o passeio de barco, dois anos atrás, e com a moda dos esportes, o negócio se expandiu para stand up paddle e caiaque.
Para atrair os clientes, a aposta foi em um passeio que mais ninguém faz em Brasília. A embarcação é uma jangada e o cliente pode ficar com os pés na água o tempo todo. “A frase mais dita durante o passeio é ‘que delícia’. Faz muito sucesso”, disse. A volta de 30 minutos sai a R$ 20 por pessoa, durante o período promocional, no verão.
Mas todo sucesso requer esforço. Pedro conta ter feito curso on-line sobre empreendedorismo e pretende aderir a cursos do Sebrae. “Sinto falta de orientação para executar ideias que temos. Tenho experiência no barco, mas administrar uma empresa é algo diferente”.
Ponto de Vista
Para o presidente do Sindicato do Comércio Varejista (Sindivarejista), Edson de Castro, o lado turístico do DF é promissor e aos poucos começa a ser explorado. “É uma face que as pessoas passam a enxergar, tanto do lado do empresário, como de quem é consumidor. Os negócios relacionados a essa área não existiam até pouco tempo no DF”, analisa. O crescimento das atividades está ligado a áreas importantes, segundo Castro. “A divulgação em outras cidades é muito importante. Além disso, o Sebrae é um dos pontos mais fortes para que o empreendedor possa estar qualificado”, concluiu.
Algumas empresas de turismo na orla
Barca Toa-Toa
Atividade: Aluguel de barcos para eventos.
E-mail: toatoa@navegatour.com.br
Clube Katanka
Atividade: Aluguel de SUP, windsurf e caiaques.
Endereço: SCES – Trecho 4 – Conjunto 11 Telefone: (61) 8172-5233
E-mail: katanka@katanka.com.br
Site: www.katanka.com.br/
Laketour
Atividade: Locação de embarcações para festas e eventos
Site: www.laketour.com.br
Clube do Vento
Atividade: Além de alugar, disponibiliza diversos cursos de aprendizagem de windsurf, kitsurf e SUP
Endereço: Clube Naval – SCES, Trecho 2, Conjunto 13
Telefone: (61) 8124-8596 e 3532-5009
Site: www.clubedovento.com
Jangada Shalom
Atividade: Passeio de barco, aluguel de stand up paddle e caiaque, além de escola náutica
Telefones: 8181-7227 e 8220-7877
Como empreender
Sebrae: Cursos ensinam a desenvolver competências para gerir o empreendimento, a administrar dificuldades e a assumir o controle do negócio. Saiba mais em sebrae.com.br.