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Brasília

Ladrões encontram R$ 164 mil em casa de funcionário de banco na Ceilândia

Arquivo Geral

01/04/2013 7h05

O furto a uma casa na QNN 22 da Guariroba, em Ceilândia, acabou revelando um possível esquema de corrupção no Programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), do Governo Federal. Um corretor escriturário da Caixa Econômica Federal (Caixa) teve a residência invadida por cinco homens, que queriam levar eletrodomésticos, mas acabaram se deparando com uma importância de mais de R$ 164 mil em espécie, além de joias. Segundo declaração do funcionário da Caixa à plantonista da 23ª Delegacia de Polícia Civil, o dinheiro seria proveniente de extras, pagos a ele para dar celeridade a processos de aquisição de imóveis do programa.

 

Origem do dinheiro

Segundo a ocorrência, os cinco ladrões invadiram a casa no momento em que ela se encontrava vazia, para furtar eletrodomésticos, quando se depararam com a importância. Vendo a movimentação suspeita, vizinhos avisaram sobre o que estava ocorrendo, e logo policiais militares chegaram ao local e prenderam quatro deles: Jonata Almeida Cabral, Warlei de Oliveira Rodrigues, Luan Henrique Veríssimo e Douglas Ferreira, todos com idade entre 20 e 28 anos. Eles foram capturados ainda na rua do crime, fugindo a pé com pertences retirados do local, além de cerca de R$ 10 mil em joias. Os acusados foram levados à 23ª DP onde confessaram o crime.

 

Segundo o delegado Celízio Espíndola, da 23ª DP, na delegacia, questionada pela delegada de plantão Letízia Fernandes de Lourenço Rocha, a esposa do funcionário da Caixa, casada com o suspeito há um ano e oito meses, teria informado que não sabia sobre quanto o marido guardava em casa, nem a origem do dinheiro. A delegada ligou para o acusado, que se encontra fora do DF, e perguntou quanto ele guardava em casa. Ele teria respondido que entre R$ 50 mil e R$ 60 mil.

 

Após ter sua declaração contestada pela delegada, o escriturário acabou contando, por telefone, que o dinheiro seria proveniente de pagamentos que ele teria recebido para dar celeridade a processos do programa habitacional. A Polícia Civil não soube informar quem estaria pagando ao investigado a quantia.

 

A reportagem do Jornal de Brasília esteve na residência do investigado e conversou com a esposa, que negou o roubo do dinheiro. Ela afirmou que havia saído para a missa de Páscoa e depois foi para a casa do pai. Ao voltar, chamou a polícia, após perceber que não estava conseguindo abrir o portão eletrônico e constatar que eletrodomésticos haviam sido levados pelos ladrões.

 

Procedimento

O delegado Celízio Espíndola informou que a Polícia Civil intimará o suspeito para prestar esclarecimentos sobre os detalhes da origem do dinheiro nos próximos dias. E que uma das perguntas será por que, sendo ele um funcionário de um banco, guardava o dinheiro em casa. A ocorrência deverá ser transferida para a PF, por  envolver um programa ligado à União.

 

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