Treze laboratórios da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) passam, ao longo de 2026, por uma capacitação conduzida pelo Laboratório Central de Saúde Pública do Distrito Federal (Lacen-DF). A iniciativa busca ampliar a capacidade da rede pública de identificar e monitorar doenças causadas por microrganismos, como meningite, tuberculose e infecções bacterianas.
Além de aprimorar o diagnóstico dos pacientes, o treinamento pretende fortalecer a vigilância epidemiológica. A expectativa é que a estrutura possa ser ampliada para doenças provocadas por vírus e fungos.
Segundo Glaura Caldo, chefe do Núcleo de Bacteriologia da Gerência de Biologia Médica do Lacen-DF, a capacitação tem dois objetivos principais: melhorar a qualidade dos diagnósticos e ampliar a capacidade de identificação de bactérias relevantes para a vigilância epidemiológica.
Na prática, exames coletados em hospitais, unidades básicas de saúde (UBSs) e ambulatórios da SES-DF podem contribuir para a identificação de alterações no perfil de doenças da população e gerar alertas sobre a circulação de novos agentes.
Laboratórios passam por testes práticos

O treinamento inclui avaliações práticas. O Lacen-DF envia amostras-teste aos laboratórios participantes, que precisam analisá-las como se fossem exames de pacientes e apresentar os resultados dentro de um determinado período.
São avaliados tanto o tempo necessário para a liberação dos resultados quanto a precisão dos diagnósticos.
A capacitação também verifica a capacidade dos profissionais de utilizar os equipamentos disponíveis nas unidades, entre eles o MicroScan WalkAway, utilizado para identificar bactérias e verificar o perfil de sensibilidade delas aos antimicrobianos.
Glaura Caldo explica que o controle de qualidade inclui cepas com diferentes características, inclusive amostras consideradas raras. Segundo ela, o procedimento permite verificar se os laboratórios estão preparados para atender adequadamente a população e identificar pontos que ainda podem ser aprimorados.
O biomédico Samuel Araújo, do Núcleo de Patologia Clínica do Hospital Regional de Taguatinga (HRT), compara a iniciativa a um ensaio de proficiência. Para ele, além de qualificar os profissionais, o processo contribui para padronizar os procedimentos realizados pelos laboratórios da rede.
O laboratório do HRT é o maior laboratório regional sob gestão direta da SES-DF e analisa diariamente entre 200 e 300 amostras destinadas à cultura microbiológica.
Padronização entre unidades

A padronização dos procedimentos é uma das metas do Lacen-DF. Periodicamente, os resultados das avaliações são discutidos com representantes dos 13 laboratórios, permitindo a identificação de melhorias e a troca de experiências entre as equipes.
A estratégia também permite que conhecimentos desenvolvidos em uma unidade sejam incorporados por outras. Entre os exemplos está o compartilhamento de técnicas para diferenciação de bactérias.
Além do HRT, participam da capacitação profissionais dos setores de microbiologia dos hospitais regionais de Planaltina (HRPl), Sobradinho (HRS), Região Leste (HRL), Asa Norte (HRAN), Guará (HRGu), Gama (HRG), Samambaia (HRSam), Ceilândia (HRC) e Brazlândia (HRBz).
Também integram a iniciativa o Hospital Materno-Infantil de Brasília (HMIB), o Laboratório Regional do Guará e o Laboratório Regional de Ceilândia.
Juntos, os laboratórios regionais e o Lacen-DF formam uma rede responsável pela realização de mais de 15 milhões de exames por ano.
Automação amplia capacidade de atendimento
A diretora do Lacen-DF, Solange Fagundes, destaca que a evolução das técnicas laboratoriais e a adoção de equipamentos automatizados aumentaram a capacidade de atendimento da rede.
Segundo ela, a automação permite processar uma quantidade maior de exames em menos tempo, contribuindo para ampliar a oferta de serviços à população.
Outra frente incorporada à estrutura do Lacen-DF é a vigilância genômica. A tecnologia permite identificar o tipo de bactéria ou vírus presente em uma amostra e verificar características genéticas que podem indicar a circulação de uma nova cepa.
A capacidade é considerada especialmente importante no monitoramento de doenças como a dengue, que possui quatro tipos de vírus já identificados. A análise genômica permite acompanhar a circulação dos diferentes tipos e detectar possíveis mudanças relevantes para a vigilância em saúde.