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Brasília

Justiça mantém cassação de aposentadoria da delegada que investigou o crime da 113 Sul

Arquivo Geral

27/03/2019 9h53

Delegada Martha Vargas. Data: 28-01-10 FOTO: GEYZON LENIN Cedoc

A Justiça do Distrito Federal decidiu manter a cassação de aposentadoria da delegada Martha Vargas, que investigou o triplo assassinato na 113 Sul. A delegada perdeu o benefício em setembro do ano passado por ter sido condenada em segunda instância pelo crime de má conduta administrativa.

No pedido de nulidade da cassação, Martha Vargas sustentou ter contribuído por mais de 30 anos ao serviço público para obter a aposentadoria, que foi concedida antes da conclusão do processo disciplinar relacionado ao Crime da 113 Sul.  Na ocasião, alegou ainda que o ato de cassação violava seu direito líquido e certo ao recebimento do benefício.

Para os desembargadores que analisaram o caso, no entanto, não houve qualquer ilegalidade na pena imposta a Martha. A cassação do aposentadoria dela foi um ato do então governador Rodrigo Rollemberg. Em dezembro de 2017, último registro de rendimentos da policial no Portal da Transparência, ela recebeu remuneração líquida de R$ 16.077,55.

Prisão

Em outubro do ano passado, Martha Vargas foi presa em decorrência de um processo que se arrasta há anos. A ex-servidora pública foi condenada por forjar provas que incriminavam suspeitos de cometer o delito ocorrido em 2009. As vítimas foram o casal Villela e a empregada deles.

Após recursos na Justiça, a pena de Martha foi fixada em 16 anos 12 dias de reclusão, além do pagamento de 45 dias multa. À mesma ação responde o agente de polícia civil José Augusto Alves, condenado a 2 anos e 9 meses de reclusão, mas em regime aberto.

O crime

No dia 28 de agosto de 2009, um triplo homicídio ocorreu no bloco C da 113 Sul. O advogado José Guilherme Vilella, 73 anos, (ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral), sua esposa, a também advogada Maria Vilella, e a funcionária da casa, Francisca Nascimento Silva, foram mortos a facadas dentro de seu apartamento. Os corpos já estavam em avançado estado de decomposição quando foram encontrados pela neta do casal, três dias depois.

A investigação tomou rumos pouco convencionais. A delegada responsável pelo caso, Martha Vargas, chegou a ouvir no inquérito uma vidente que afirmava receber mensagens do falecido José Guilherme. E também foi acusada de torturar suspeitos inocentes para que confessassem o crime. A delegada terminou afastada do caso por falsidade ideológica.

Já com novo comando de investigação, a polícia chegou aos três verdadeiros criminosos: Leonardo Campos Alves, ex-porteiro do prédio, Paulo Cardoso Santana, sobrinho do ex-porteiro, e Francisco Mairlon, comparsa de Leonardo. E foram eles que denunciaram Adriana Vilella, 46 anos, filha das vítimas, como a mandante dos homicídios.

Herança

Segundo a apuração, Adriana foi motivada pela herança dos pais (avaliada em R$ 160 milhões em imóveis) e pela revolta de receber deles uma mesada de apenas R$ 8,5 mil. A acusada chegou a ser presa duas vezes, mas, devido a vários recursos, nunca foi julgada pelo Tribunal do Júri de Brasília. Para isso, contou com a ajuda de um dos principais advogados criminalistas do país: Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay.

Leonardo, Paulo e Mairlon, cujas penas somadas é de 177 anos de reclusão, estão presos na Penitenciária da Papuda. Já Adriana mora no Rio de Janeiro e espera seu julgamento em liberdade. A delegada Martha foi condenada, em primeira instância, a 16 anos de prisão por falsidade ideológica, fraude processual e tortura, além de ter sido exonerada da Polícia Civil. Mas ainda está em liberdade enquanto dura o processo.

 

 

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