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Brasília

Justiça do DF atende Novo Nordisk e amplia patente de caneta emagrecedora; cabe recurso

Ainda cabe recurso e a decisão não barra a venda de outros medicamentos à base da mesma substância.

Redação Jornal de Brasília

04/09/2025 20h53

4.9. consórcio. farmácia em ubs. foto jhonatan cantarelle agência saúde df (1)

4.9. consórcio. farmácia em ubs. foto jhonatan cantarelle agência saúde df (1)

MATEUS VARGAS
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) –
A Justiça Federal atendeu pedido da farmacêutica Novo Nordisk e aprovou a ampliação da validade da patente da liraglutida ao menos até 2033. A substância é o princípio ativo das canetas Victoza e Saxenda, da mesma farmacêutica, usadas para diabetes e emagrecimento.

Ainda cabe recurso e a decisão não barra a venda de outros medicamentos à base da mesma substância. Em agosto, a EMS lançou as canetas Olire e Lirux, versões sintéticas da liraglutida e primeiras concorrentes da Novo Nordisk no Brasil.

A sentença, porém, é novo um elemento da disputa pelo mercado bilionário dos emagrecedores. Em nota, a Novo Nordisk disse que a decisão reforça a “tese da empresa” para pedir a ampliação da patente da semaglutida, o princípio ativo das principais canetas da empresa no mercado (Wegovy e Ozempic), que perde a proteção a partir de março de 2026.

Na decisão assinada na segunda-feira (1º), o juiz federal substituto do DF Bruno Anderson da Silva determinou que o Inpi (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) conceda ao menos mais oito anos, cinco meses e um dia de vigência da patente da liraglutida, que expirou em novembro de 2024.

O juiz afirmou que a Novo Nordisk demonstrou que a análise da patente levou mais de 13 anos, sendo que dois períodos de “inércia” do Inpi ultrapassaram oito anos. No processo, o instituto atribuiu a demora “ao crônico acúmulo de processos”, afirma ainda a decisão.

Uma patente de invenção tem validade de 20 anos. Em 2021, o STF (Supremo Tribunal Federal) derrubou um trecho da Lei de Propriedade Industrial que permitia ampliar esse prazo nos casos em que o Inpi não conseguisse analisar as patentes “por pendência judicial ou por motivo de força maior”.

O juiz federal, porém, aceitou a argumentação da Novo Nordisk de que a mesma decisão do STF “abriu caminho para que o Poder Judiciário, diante de casos concretos de atraso desproporcional e injustificado, supra a lacuna legislativa e determine o ajuste do prazo patentário”.

Em nota, a Novo Nordisk disse que a sentença reconhece que a “demora do Inpi para conceder a patente foi ‘desproporcional e injustificada'”.

O mercado das canetas também atrai atenção do governo federal, que tenta acelerar a comercialização dos produtos nacionais. Na ação mais recente, o Ministério da Saúde pediu e a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) anunciou que as canetas poderão furar a fila de análise da agência, medida que dividiu as associações farmacêuticas.

As canetas são análogas do GLP-1, hormônio produzido no intestino que atua no controle dos níveis de glicose no sangue e nos mecanismos de saciedade. As principais marcas no mercado são a semaglutida (Ozempic e Wegovy, da Novo Nordisk) e a tirzepatida (Mounjaro, da Lilly).

A Novo Nordisk tenta postergar a validade da patente da semaglutida, que expira em março de 2026, enquanto empresas como EMS, Biomm e Hypera Pharma se preparam para lançar concorrentes.

A EMS foi a primeira empresa nacional a conseguir aval da Anvisa para comercializar produtos à base de liraglutida.

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