O julgamento do caso dos cinco homens acusados de atear fogo em dois moradores de rua, em Santa Maria, foi adiado. O juiz Itamar Dias, responsável pelo caso tomou a decisão após o suposto mandante do crime, D.A.L., dispensar o próprio advogado, devido a uma discussão. Ainda não foi estipulada uma nova dara para dar continuidade ao processo.

Na manhã desta quinta-feira, testemunhas foram ouvidas pelo Tribunal de Júri de Santa Maria. O crime ocorreu na noite de 25 de fevereiro do ano passado e chamou atenção pela frieza dos suspeitos em cometer o crime, enquanto as vítimas dormiam em uma praça da QR 118. Um deles, José Edson Miclos de Freitas, 26 anos, teve 63% do corpo queimado e não resistiu aos ferimentos. O outro, Paulo Cézar Maia, 42 anos,sofreu queimaduras em 25% do corpo e, por sorte, sobreviveu ao atentado.
O crime teria sido encomendado pelo dono de uma loja, que fica bem próxima da praça onde as vítimas dormiam. Conforme a denúncia, o homem estava incomodado com a presença dos moradores de rua e decidiu, então, ferecer R$ 100 para quem o ajudasse a tirar eles de lá.
Em um trecho no texto de acusação, diz que em um primeiro momento, um homem teria espalhado gasolina na parte de trás de um sofá onde uma das vítimas estava deitada. Após o ato, ele teria ateado fogo. Porém, a tentativa foi frustrada, pois as vítimas teriam apagado o fogo do sofá com a ajuda de moradores da região. Passado o ocorrido, as vítimas retornaram ao local e voltaram a dormir.
Ao percerber que nada aconteceu, um tempo depois um dos acusados teria voltado ao local e derramado gasolina, dessa vez sobre as vítimas, e jogado um palito de fósforo, incendiando ambas.
Local onde o crime ocorreu. (Foto: Michael Melo/Cedoc)
Para o Ministério Público o crime foi cometido mediante promessa de recompensa, emprego de fogo e utilizando-se de recurso que dificultou a defesa das vitimas, uma vez foram abordadas de surpresa quando estavam deitadas, dormindo e sem qualquer possibilidade de esboçar reação.
As testemunhas começaram a ser ouvidas por volta de 10h30. Ao todo, o júri ouvirá 10 pessoas. Não há previsão do término do julgamento. Há algum tempo, Paulo Cézar, que teve queimaduras profundas no rosto, no abdômen, nas pernas e em um dos braços, largou as ruas e voltou a morar com a família.