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Brasília

Juiz decreta prisão preventiva de homem que tentou matar companheira no Itapoã

Arquivo Geral

23/01/2018 18h35

Homem estava no portão, bêbado, quando a vítima chegou do trabalho. Foto: João Stangherlin

Jéssica Antunes
jessica.antunes@grupojbr.com

Permanecerá preso o homem que tentou matar a companheira com uma régua para puxar concreto no Itapoã. O pedreiro de 34 anos, que já tinha outra passagem por violação à Lei Maria da Penha, passou por audiência de custódia na manhã desta terça-feira (23) e a prisão em flagrante foi convertida em preventiva. Assim, ele deve ficar no Complexo Penitenciário da Papuda até o julgamento do processo da tentativa de feminicídio.

A decisão de mantê-lo preso foi do juiz Aragonê Nunes Fernandes, que considerou a gravidade dos fatos atestado pelas “severas lesões” e narrações do boletim de ocorrência. “O autuado registra outra anotação por delitos relacionados à Lei Maria da Penha, possivelmente contra a mesma vítima. Acresço que a dinâmica descrita evidencia a periculosidade social e a malvadez do autuado, justificando a segregação cautelar para garantir a ordem pública, freando a senda delitiva e preservando a integridade da vítima”, afirmou o magistrado.

O homem também está proibido de se aproximar da casa, da mulher ou do local de convivência com ela. Também não pode entrar em contato com os familiares, inclusive pela internet. O acesso ao filho só é permitido com a intermediação de uma terceira pessoa. A manutenção da prisão do pedreiro é contra a média registrada no ano passado, quando 68% dos acusados pela Lei Maria da Penha tiveram a liberdade concedida.

“Hoje vou te matar”

Balconista, a vítima havia chegado em casa do trabalho por volta das 22h quando se deparou com o companheiro bêbado na frente do portão, com uma garrafa de bebida em mãos. A primeira ameaça teria sido logo após, quando ele começou a amolar uma faca. Ao registrar o boletim de ocorrência na 6ª DP (Paranoá), ela relatou à polícia as palavras ditas pelo agressor: “Hoje vou te matar”.

A vítima foi agarrada pelos cabelos e, apesar das súplicas para que fosse libertada, foi jogada no chão. Foi quando ela bateu o rosto no solo, gerando um hematoma. Do chão, ela saiu correndo em busca de socorro e foi perseguida. Com uma régua para puxar concreto, o homem, que trabalha como pedreiro, a agrediu na cabeça e pelo corpo. Ela foi amparada por vizinhos, que garantiram à reportagem que nunca viram discussões.

O objeto, banhado de sangue, foi levado à delegacia. O homem, também. No caminho, segundo a Polícia Militar, ele demonstrou arrependimento, chorou e disse que não tinha motivo para a agressão. A mulher também chorou – de dor, raiva e desespero. Na casa humilde no Itapoã, a mulher diz que tem medo e garante que está bem, apesar de não parecer. Ontem, ela não conseguiu trabalhar. No Tribunal de Justiça, foi feito o pedido de medida protetiva de urgência. O suspeito foi autuado por tentativa de feminicídio.

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