Segundo informações da Secretaria de Segurança Pública, que mapeou as ocorrências de sequestros relâmpago no Distrito Federal, a participação de menores nesse tipo de crime tem aumentado. Das 18 pessoas presas em flagrante no mês passado por roubo com restrição de liberdade, oito ainda não atingiram a maioridade. E pior, os jovens já possuíam antecedentes, sendo que um tinha 13 anos.
A participação de jovens nessa modalidade de sequestro pode ser creditada, em parte, à facilidade em cometê-lo, o que torna o delito “atrativo” para o menor infrator. “Não é um crime que demande sofisticação. Como não precisa de uma carreira na criminalidade, apenas uma arma e atrevimento, é muito simples (de ser feito)”, explica o especialista em Segurança Pública, George Felipe Dantas.
Ele acredita que muitos adolescentes participem dessa infração como parte da introdução à “cultura do crime”, onde um ciclo de deliquência é iniciado e culmina em um adulto com passagens pela polícia, tornando-se parte de uma realidade apontada pela secretaria no início da semana.
Reincidentes
Foram 43 ocorrências no mês passado e houve redução de 23% nos três primeiros meses deste ano, em relação ao mesmo período de 2012. E 70% dos criminosos capturados no DF são reincidentes, ou seja, já haviam sido condenados por outro delito.
“O DF espelha a situação nacional tanto de homicídio quanto de violação de direitos de menores e na participação deles em crimes”, diz George Felipe. “Instituições que funcionavam, como família e religião, não servem mais como fatores de contenção”, conclui.
George diz que o crime, porém, não chega perto da incidência de furtos, mas causa comoção e atrai atenção. “Estamos acostumados a ser furtados, mas não a ser sequestrados. É um delito que tem incidência baixa por aqui. Na África do Sul atinge centenas de episódios numa única semana.”
O secretário de Segurança, Sandro Avelar, e o secretário-adjunto Jooziel de Melo foram procurados pela reportagem para comentar os dados mas não responderam.