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Brasília

Jovem que cometeu golpe milionário diz: "Não tinha como dar errado"

Arquivo Geral

01/10/2012 8h06

Leandro Mazzini
redacao@jornaldebrasilia.com.br

Foi uma empresa de turismo brasileira quem entregou à polícia o golpista viajante Douglas Augusto de Lima Santos. O esquema que durou dois anos era tão perfeito que só uma coincidência associada a uma pequena falha no sistema levou à prisão do jovem de 21 anos. E apesar das voltas que deu ao mundo usando seriais roubados de cartões de crédito de multinacionais, levou uma volta do destino: a vítima do golpe da semana passada era um empresário paulistano.

“Doutor, não tinha por que dar errado”, confessou Douglas ao delegado Ailton Rodrigues, da 5ª DP, após ser detido em flagrante num hotel de luxo. Mas deu. Hacker de primeira linha, estudante de Tecnologia da Informação numa universidade dos Estados Unidos, onde morava, Douglas descobriu como usar a internet para roubar números sequenciais de cartões de crédito das multinacionais, utilizados para pagamentos de despesas com viagens de seus executivos.

O jovem tinha acesso apenas aos seriais, que se iniciam sempre com 37 para este tipo de cartão. Não sabia, portanto, de qual empresa roubava, apenas a certeza de que eram americanas ou europeias. Mas justo no Brasil, o sequencial que obteve foi extraído automaticamente no sistema de uma empresa multinacional… brasileira, com sede em São Paulo. Trata-se de uma grande operadora de turismo, que não deu autorização para ser identificada.

Desconfiança
Desconfiado com os altos gastos do rapaz, o gerente do hotel de Brasília foi conferir a procedência do “funcionário”. Nestes casos, Douglas usava um serviço de siga-me, direto para o seu computador, dos telefones das multinacionais cadastrados nos sites das operadoras. Desta vez, porém, o sequencial do cartão não emitiu o telefone da empresa.

Douglas arriscou permanecer com o número, que fora repassado por um dos comparsas direto de Nova York. Após contato com a operadora do cartão, o gerente ligou para a empresa com sede na capital paulista. O dono confirmou o golpe.

No entanto, as investigações podem brecar numa barreira imposta pelas próprias vítimas, as empresas  dos cartões de crédito lesadas. A investigação nos EUA e Europa só pode se iniciar se as operadoras registrarem queixa. Logo, a Interpol deve ser provocada, do contrário Douglas responderá apenas pelo crime em território nacional, e sua quadrilha – com outros jovens hackers americanos – pode sair ilesa.

“Não era uma vida de luxo. Era um momento de luxo. Sempre tive medo de cadeia. É o maior pesadelo que alguém pode passar”, disse o jovem em entrevista ao Domingo Espetacular, da TV Record.

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