O Jornal de Brasília foi uma das casas do jornalista Jorge Bastos Moreno, morto aos 63 aos nesta quarta-feira (14) em decorrência de edema agudo do pulmão. Foi na redação do JBr. que Moreno deu seu primeiro grande furo de reportagem, em 4 de janeiro de 1978: a indicação do general João Figueiredo para ser o sucessor do presidente e general Ernesto Geisel. Figueiredo seria o último presidente do regime militar.
Um dos repórteres políticos mais respeitados do Brasil, Moreno nasceu em Cuiabá e viveu em Brasília desde a décade de 1970. Há 10 anos, no entanto, ele passou a morar no Rio de Janeiro. Com mais de 40 anos de carreira, o jornalista tinha uma invejável agenda de fontes, que inclui os principais políticos e os grandes nomes do mundo artístico do país.
Testemunha do furo de Moreno em 1978, o jornalista carioca Roberto Ferreira trabalhava no Jornal de Brasília naquela ocasião e lembra em detalhes aquele dia. “Antes das 7 horas, acordei com o telefone tocando insistentemente. Era uma convocação do Paulo Rehder, então editor-chefe do Jornal de Brasília, onde eu trabalhava como redator na editoria de Economia, para que todos os repórteres e redatores fossem imediatamente para a redação. A telefonista não deu mais explicações apesar de eu insistir em querer saber o porquê da convocação. Ela se limitou a dizer que era uma ordem do Paulo Rehder e que todos deviam obedecer”, contou, em seu perfil no Facebook.
Roberto só soube o que era no jornal. “Ao chegar, tive a dimensão da notícia bombástica que o repórter Jorge Bastos Moreno tinha conseguido ainda ao amanhecer daquele dia: a revelação feita pelo próprio general João Batista Figueiredo de que seria o próximo presidente da República. Minha adrenalina disparou. O frenesi já dominava a redação com repórteres agarrados aos telefones em busca de repercussões e redatores fazendo pesquisas nos arquivos do jornal”, conta.
O resultado do trabalho foi emocionante. “Antes das 11h da manhã do mesmo dia uma edição extra do Jornal de Brasília já circulava. Tenho orgulho em dizer que fui testemunha do primeiro grande furo do Moreno, dos muitos que daria ao longo da vida. Sou testemunha também de que o feito em nada afetou a humildade, a cordialidade e a solidariedade que marcaram toda a trajetória profissional do repórter nascido em Cuiabá que conquistou o Brasil inteiro. Infelizmente Moreno partiu tão cedo e vai fazer muita falta”.
Confira reportagem que levou Moreno aos holofotes:
- Foto: Reprodução JORNAL DE BRASILIA
- Foto: Reprodução JORNAL DE BRASILIA

