Todos os dias pela manhã, clinic antes do sol sair, and os moradores do Jardim Ingá, visit this site em Luziânia (GO), participam de um verdadeiro campeonato de enchimento de baldes. A prova acontece de madrugada, por volta das 5h, e requer muita disposição. Em um curto espaço de tempo eles têm de encher o maior número de recipientes e ainda lavar a louça, roupas sujas, a casa e dar água para o cachorro.
Ufa! Resta rezar para que a água continue saindo pelas torneiras. Todos participam, afinal, quem fica de fora dessa disputa corre o risco de ser penalizado. Ou seja, passar o dia sem poder tomar banho, fazer o café, o almoço e o jantar são algumas das punições.
Há cinco dias da comemoração do Dia Internacional da Água, a população de Luziânia pede socorro. Na último final de semana, os moradores do Jardim Ingá ficaram três dias sem ver uma gota de água sair pelas torneiras. As caixas ficaram vazias e quem mora na parte mais alta da cidade, onde a água demora mais para chegar, teve dificuldade para matar a sede. Apenas quem tinha cisterna em casa se livrou do sufoco. Ontem pela manhã, o problema voltou a assustar. Por volta das 7h40 a água foi embora e até o fechamento desta edição, às 19h45, ainda não tinha voltado.
A dona de casa Luzia Dinis Sousa, de 35 anos, acordou às 5h30 para poder encher os baldes e limpar a louça suja que estava na pia. “Tem que fazer tudo isso de madrugada porque durante o dia sempre tem falta e a gente não sabe quando vai voltar”, explica ela. Uma pilha de roupas sujas estava encostada em cima do tanque. Para garantir água durante a semana, a maioria dos moradores enche as caixas, com capacidade de mil litros, mas ontem Luzia não teve tempo de fazer isso. “Quando vi, a água já tinha acabado”, reclamou.
Sem banho
O balconista Luiz Carlos Pereira da Silva, 27, morador da Rua 218, quadra 233 do Parque Estrela D’Álva IX passou o dia sem tomar banho. Para economizar água na limpeza de panelas e preparação dos alimentos, ele preferiu almoçar macarrão instantâneo. “É um absurdo. E ainda por cima mandam conta de água para a minha casa, mas não vou pagar uma coisa que não estou usando”, adianta.
Estabelecimentos comerciais também sofrem com o problema de falta d’água. Carlos Augusto Dias, de 33 anos, é dono de uma panificadora no bairro Parque Estrela D’Alva IV. Se não fosse o poço artesiano de 26 metros, cavado há 13 anos, ele não teria como se livrar do calor e manter a produção diária de pães. “Não temos água tratada aqui. Se tivesse água encanada, mesmo faltando, eu não teria do que reclamar”, disse, inconformado com a situação.
A população do Jardim Ingá é estimada em mais de cem mil habitantes, mas esse número cresce a cada ano. A superintendência da Empresa de Saneamento Básico de Luziânia, a Saneago, explicou que a água retirada de poços artesianos está no limite e que, por esse motivo, tem faltado água em algumas residências. Atualmente, são 190 mil litros de água distribuídos
por hora para as residências.
Seriam necessários pelo menos mais cinco mil litros por hora para atender toda a demanda. Outro fator que teria contribuído para o agravamento da situação neste final de semana foi uma pane elétrica ocorrida no último domingo em um dos seis poços artesianos responsáveis pelo fornecimento de água. Ontem mesmo a bomba elétrica teria sido consertada. Em razão da pouca vazão de água, a Saneago também tem revezado os horários de distribuição da água por setores.
A população enfrenta o mesmo problema há dez anos, principalmente nos períodos de escassez de chuva, quando o volume de água dos reservatórios diminui. Para amenizar o sofrimento dos moradores do Jardim Ingá e demais bairros como os Jardins Zuleica e Ipê, a Saneago afirma ainda que irá perfurar três novos poços artesianos em locais mais necessitados nos próximos dois meses. Entretanto, o problema deve demorar para ser resolvido, uma vez que o sistema leva tempo para ser instalado.