Quantos jogadores terão sido contratados ontem, de última hora, antes do fechamento da janela? Impossível saber. O mais curioso é verificar que times que choram miséria se movimentaram intensamente para “aproveitar” a oportunidade. Sem qualquer demérito ou comentário depreciativo, não voltarão para o Brasil jogadores que estejam arrebentando lá fora. No máximo alguém que já vislumbra o fim da carreira ou, pior, que não deu certo onde estava. O mais grave nessa ânsia de contratar por contratar é ver que os times acabam se sujeitando a pagar salários astronômicos, encalacrando-se ainda mais nos já restritos orçamentos. Seria interessante que todos parassem e pensassem. Não é melhor manter o que está bom, dentro de um padrão razoável de pagamentos, do que aventurar-se, elevando a folha e procurando problemas? Infelizmente nossos cartolas não pensam assim. Vamos ver como vão ficar os elencos após a janela encerrada ontem.
(ir)Regular
Não consigo lembrar, nos últimos anos, de nenhuma participação do Coritiba na Série A do Brasileiro em que seus torcedores não sofressem até a última rodada para ver o time escapar do rebaixamento. Estranho. É como se os jogadores entrassem numa máquina e esquecessem tudo o que realizaram no Estadual quando a bola rola na competição nacional. Este ano não está sendo diferente. O Coxa vem, desde o início do torneio, marcando presença no Z-4. Embora tenha sete pontos de vantagem sobre o lanterna (América Mineiro) e esteja a apenas um ponto de fugir da degola (o Figueirense, 16º colocado, tem 16 pontos ganhos), duvido que se encontre um só torcedor da equipe paranaense que diga estar otimista com seu time no Brasileiro. E, verdade seja dita, a equipe até jogou bem contra o Atlético Mineiro, segunda-feira, no Independência. Mas perdeu e, de quebra, vimos que o clima entre alguns jogadores e a comissão técnica não é nada bom. Dá tempo para mudar a situação? Sem dúvida que dá. Resta saber se haverá condições para isso.
Navalha na carne
Cerca de 20 dias até o início dos Jogos Olímpicos e começa a pior parte para os atletas: nos esportes coletivos, é hora de definir as equipes que efetivamente participarão da competição. Em alguns casos não há problema: a pequena quantidade acaba “facilitando” o processo (coloco entre aspas porque é um facilitador que trará problemas lá na frente, com poucas opções). No vôlei, no Brasil, porém, a questão é inversa: como, felizmente, temos muitos atletas com condições de participar, sempre alguém de alto nível acaba ficando de fora. Foi o caso, por exemplo, de Murilo Endres, cortado no hotel, na Polônia, pouco depois da final da Liga Mundial. Talvez não tenha sido a melhor tática de Bernardinho (imaginem, horas e horas de voo com um grupo que você não fará parte daqui a pouco…), mas foi a escolhida.
Convivi, muito, com os jogadores da seleção masculina desde que Bernardinho assumiu o comando da equipe, no hoje distante ano de 2001. Viajamos para a Holanda, onde enfrentamos a seleção local em Groningen, ginásio que viu a horrível contusão de Marcelo Negrão; de lá fomos para Berlim, onde após a segunda vitória sobre os alemães demos uma de turistas e visitamos o que restava do muro; nossa última parada nesta primeira etapa foi no Colorado, nos Estados Unidos, onde participamos de um daqueles jantares estilo medieval antes de bater nos donos da casa… E por que conto isso? Para mostrar que o bom ambiente sempre foi um dos fortes da seleção. Imagino como se sentiram os companheiros após o anúncio do corte de Murilo, um dos mais experientes da equipe atualmente.
A mensagem, apaixonada e entristecida de sua mulher, Jacqueline, que estará defendendo o Brasil na equipe feminina, talvez dê um pouco da noção do que seja receber a notícia da exclusão. Ao lembrar que não terá seu marido, a seu lado, na Vila Olímpica, Jacque falou de um item, de uma situação, de alguns momentos, em que Murilo fará falta para ela – e, claro, por outras razões, para toda a equipe. O esporte de alto nível cobra. Uma contusão, na hora errada, pode frustrar sonhos e tornar impossível realizar alguns objetivos. Como disputar uma Olimpíada em seu país. Força Murilo! E antes que pensem que sou machista, não dá para esquecer o corte de Camila Brait no time feminino. Mais uma vez ela bateu na trave. Mas seleção é momento. E o momento de Léia, pelo visto, é melhor.