
Em chamas. Assim o Posto Comunitário de Segurança (PCS) da QE 40 do Guará II amanheceu ontem. A situação tem se tornado comum no DF: de acordo com a Polícia Militar, 11 dos 131 postos foram depredados.
O JBr. esteve no mesmo local na última semana, e flagrou o posto abandonado, com cabos de vassoura quebrados bloqueando as portas. Ontem pela manhã, restava somente o esqueleto da unidade, e ainda havia fogo queimando o mato alto ao redor. “Começou por volta das 22h. Ninguém viu quem foi”, disse uma testemunha.
Outro morador, que há três anos vive em frente à praça onde está o posto queimado, conta ter ficado surpreso com a notícia. “Ele parou de funcionar há mais ou menos um ano. Para mim, tinha que continuar existindo, pois dá uma sensação de segurança. Com o policiamento rondando, eles são muito bons para a população”, opinou o homem, que também preferiu não divulgar sua identidade.
Ideia boa, execução ruim
O especialista em Segurança Pública Nelson Gonçalves acredita que a iniciativa de instalar os postos, seguindo modelo de outras cidades, como São Paulo, foi válida. Ele analisa, no entanto, ter havido pouco cuidado na aplicação. “Os policiais que ocuparam os postos careceram de melhor compreensão da proposta”, diz.
“A implementação desse sistema aconteceu à revelia da PM, que pouco foi consultada, assim como a comunidade. Muitas das localizações escolhidas foram decorrentes de interferências políticas locais e não de estudos. Uma série de equívocos levou ao insucesso da medida”, opina.
Ele cita a falta de recursos de apoio para os postos, como viaturas motorizadas sempre à disposição, e, muitas vezes, a impossibilidade de militares atenderem a ocorrências por não poderem deixar o PCS. “Para ter funcionado, a PMDF precisaria ter recebido aumento significativo do seu efetivo”, avalia.