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Brasília

Já são 11 postos da PM depredados

Arquivo Geral

16/12/2014 8h20

Em chamas. Assim o Posto Comunitário de Segurança (PCS) da QE 40 do Guará II amanheceu ontem. A situação tem se tornado comum no DF: de acordo com a Polícia Militar, 11 dos 131 postos  foram depredados.

O JBr. esteve  no mesmo local na última semana, e flagrou o posto   abandonado, com cabos de vassoura quebrados bloqueando as portas. Ontem pela manhã, restava somente o esqueleto da unidade, e ainda havia fogo queimando o mato alto ao redor. “Começou por volta das 22h. Ninguém viu quem foi”, disse uma testemunha.

Outro morador, que há três anos vive em frente à praça onde está o posto queimado, conta ter ficado surpreso com a notícia. “Ele parou de funcionar há mais ou menos um ano. Para mim, tinha que continuar existindo, pois dá uma sensação de segurança. Com o policiamento rondando, eles são muito bons para a população”, opinou o homem, que também preferiu não divulgar sua identidade.

Ideia boa, execução ruim

O especialista em Segurança Pública  Nelson Gonçalves  acredita que a iniciativa de instalar os postos, seguindo modelo de outras cidades, como São Paulo, foi válida. Ele analisa, no entanto, ter havido pouco cuidado na aplicação. “Os policiais que ocuparam os postos careceram de melhor compreensão da proposta”, diz.

“A implementação desse sistema aconteceu à revelia da PM, que pouco foi consultada, assim como a comunidade. Muitas das localizações escolhidas foram decorrentes de interferências políticas locais e não de estudos. Uma série de equívocos levou ao insucesso da medida”, opina.

Ele cita a falta de recursos de apoio para os postos, como viaturas motorizadas sempre à disposição, e, muitas vezes, a impossibilidade de militares atenderem a ocorrências por não poderem deixar o PCS. “Para   ter funcionado, a PMDF precisaria ter recebido aumento significativo do seu efetivo”, avalia.

Sem efetivo nem viatura para patrulhar
 
Há um ano, a dona de casa Hilda da Silva,   53 anos, presenciou o roubo em uma loja de bicicletas   na QE 30. Ligou para o 190 e reportou o flagrante. “Demoraram tanto para chegar que os ladrões foram embora. Se você pergunta no posto por que não saem, eles dizem que é porque não podem deixá-lo sozinho e não há viatura para perseguir ninguém”, reclama.
“O melhor era eles fazerem rondas sempre e descerem dos carros mais vezes, para que os bandidos não fiquem escondidos só esperando eles passarem”, conclui.
refeitório
 
O posto da QE 38, quadra ao lado da QE 40, já sofreu pelo menos duas vezes com depredações e incêndios. Em frente a um posto de saúde, a unidade simboliza no que esses postos podem se tornar caso o descaso prossiga. Ela é tratada, pela PMDF, como uma unidade em funcionamento, mas o JBr. foi ao local e constatou não haver boas condições de trabalho e, em pelo menos uma hora, nenhum policial apareceu no local.
 
Um grupo de garis   indagou se a reportagem passaria muito tempo ali. Ao serem perguntados sobre o motivo do questionamento, um deles sorriu e respondeu: “É que esse virou nosso refeitório”.
 

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