Da Redação
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Investigadores da Coordenação de Investigação de Crimes Contra a Vida (Corvida) tentam acelerar os depoimentos das cinco pessoas presas sob a alegação de atrapalhar as investigações do crime da Quadra 113 Sul, em que foram assassinados o juiz aposentado do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e advogado José Guilherme Vilella, 73 anos, a mulher dele, a advogada Maria Carvalho Mendes Vilella, 68 anos, e a principal empregada do casal, Francisca Nascimento da Silva, 58 anos. O triplo assassinato ocorreu dia 28 de agosto do ano passado.
A principal expectativa da polícia nas declarações das cinco pessoas com prisão temporária de 30 dias decretada pelo juiz Fábio Francisco Esteves, substituto do Tribunal do Júri de Brasília, é confrontar as declarações e até mesmo fazer uma acareação entre a paranormal Rosa Maria Jaques, 61 anos, o marido João Tocchetto, 49 anos, ambos presos em Porto Alegre e trazidos para Brasília na quarta-feira, e uma testemunha-chave. Intimados a prestar depoimento em maio deste ano à delegada Mabel Faria, responsável pelas investigações na Corvida, o casal negou conhecer Adriana Vilella.
No entanto, a testemunha-chave afirmou ter visto os três juntos em um edifício no Condomínio Summer Park. A mulher afirmou ainda que Adriana chegou ao local procurando por Rosa, demonstrando intimidade com a vidente.
Chave
Também é preciso esclarecer o caso da chave plantada. Sabe-se que toda fechadura tem duas chaves originais. A localizada na casa de dois dos três homens presos em Vicente Pires e liberados por falta de provas é uma chave original. Se a chave foi plantada para incriminar os suspeitos, na primeira perícia feita na cena do crime teria que ter a fotografia de duas chaves originais e não apenas de uma chave. O que se questiona, então, é aonde foi parar a fotografia da outra chave, já que todas elas foram fotografadas pela perícia nas portas.
Segundo uma fonte, das 16 chaves localizadas no apartamento dos Vilella, é preciso saber quantas fotografias foram tiradas nas 12 perícias realizadas. A empresa fabricante da chave tem condições de informar quantas chaves originais foram vendidas. A fotografia tomada como base para dizer que a chave original foi plantada, já que a perícia não foi feita na chave e sim em uma fotografia, tem caracteres diferentes de todas as outras. O problema é que todas as chaves apreendidas pela polícia já foram devolvidas para Adriana, antes mesmo do crime ser esclarecido.
A perícia tem condições de afirmar quantas chaves eram usadas nas duas portas do apartamento dos Vilella, por causa das particularidades existentes na fechadura. Além disso, a neta do casal foi firme em dizer que toda calça usada pelo avô, feita em alfaiate, tinha um bolso interno, utilizado só para guardar chaves do apartamento. As roupas que ele vestia quando foi morto, porém, foram queimadas próximas ao Instituto Médico-Legal (IML). O pano queimou, mas, segundo uma fonte, o metal deve estar no mesmo lugar. A fonte diz que basta ir lá e pegar a chave, fazer a perícia e esclarecer todas as dúvidas, já que isso não foi feito em todas as chaves, apenas na encontrada na casa dos dois suspeitos. “Tem erro desde o início e continua tendo”, afirmou. “Quando identificarem os autores, com certeza um dos que já esteve preso será indiciado”.
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