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Brasília

Invasores do Torre Palace serão enquadrados no crime de resistência

Arquivo Geral

02/06/2016 9h44

Resistentes a desocupar o hotel Torre Palace, os 13 invasores que permanecem no edifício já são enquadrados no crime de desobediência (artigo 330, do código penal). Dentre eles, segundo a a Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Paz Social (SSP), além do lider do movimento, outros cinco integrantes respondem a processos na Justiça.

Ao deixar o local, os sem teto devem ir direto para o Departamento de Polícia Especializada. No entanto, eles não ficam presos. Assinam termo circunstanciado e respondem em liberdade. A negociação foi retomada na manhã desta quinta-feira (2) e já dura mais de 24 horas.

Segundo o chefe da comunicação da Polícia Militar, coronel Antônio Carlos, a operação custa cerca de R$ 1 milhão por dia. A estratégia da corporação é vencer pelo cansaço. “Ele estão sem água e luz, o mantimento que possuem uma hora vai acabar”, diz o coronel. De acordo com ele, não é possível serem mais enérgicos pela presença de crianças e estado psicológico dos ocupantes. “A operação tem um gasto grande, mas a vida não tem preço”, afirma.

Em nota, a SSP disse que os cuidados durante as negociações estão sendo redobrados, considerando que há no local crianças em situação de risco eminente. A intenção, ainda segundo a SSP, é que o processo de negociação seja esgotado, até que os invasores deixem espontaneamente o prédio.

Para isso estão sendo adotados todos os procedimentos previstos no protocolo de gerenciamento de crises, como corte de suprimentos de água, luz e demais provimentos aos invasores. Todo o trabalho de negociação está sendo acompanhado pela Vara da Infância e da Juventude

Albergues

O Governo de Brasília reitera que  foram disponibilizadas vagas em abrigos para as famílias. A Procuradoria Geral do Distrito Federal informou que vai incluir os custos da operação nos processos judiciais, após o levantamento da Secretaria de Segurança Pública. 

Doriana Nunes, uma das coordenadoras do Movimento de Resistência Popular, diz que eles não querem ir para o  albergue. “O governo nunca quis negociar com a gente. Nós estamos aqui porque não temos para onde ir. Só queremos um lugar pra morar. Nos tiraram lá de dentro como cachorros. Eles querem nos jogar em albergues que nem moradores de rua querem ficar. Imagine nós, com crianças e bebês de colo?”, reclama. De acordo com ela, havia entre 130 e 150 famílias na ocupação.

Medidas

Os invasores que descerem ao longo dessa quarta-feira (1º) dormiram em frente ao hotel sobre colchões e agasalhos recebidos de doação. Segundo a polícia,  cerca de 300 militares fazem a segurança do local, além de agente de órgãos como Agência de Fiscalização (Agefis), Defesa Civil, Secretaria de Estado da Ordem Pública e Social do Distrito Federal (Seops) e Corpo de Bombeiros, além de órgãos de apoio como a Caesb e a CEB.

Em nota, a SSP disse que a via N1, no trecho em frente ao hotel continuará interditada, tendo em vista que os invasores estão arremessando objetos na via, o que coloca em risco a segurança dos usuários, caso o trânsito seja reestabelecido.

Por meio de nota, a Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Saúde, Trabalho, Previdência e Assistência Social (Fenasps) considerou a operação como”inaceitável” e afirmou que “responsabiliza o governo do Distrito Federal, por todo o ato de violência contra os invasores do edifício”.

 

Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

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