Daniel Cardozo
Especial para o Jornal de Brasília
Em litígio com as autoridades, ocupantes de duas áreas no DF ameaçam fazer novos protestos hoje, contra remoções. É o caso dos moradores da área de transição do Varjão e dos integrantes do movimento que invadiu uma construção inacabada em Taguatinga. Os manifestantes buscam espaço nas políticas de habitação e, em ambos os casos, se negam a sair dos lugares ocupados.
Desde o dia 5 de janeiro, o Movimento dos Trabalhadores Sem-teto (MTST) ocupa uma construção inacabada que seria um shopping em Taguatinga. Após a decisão do Tribunal de Justiça, ordenando a desocupação do terreno, os ocupantes fizeram protestos no Pistão Sul e na EPTG . Os moradores pretendem permanecer mesmo com uma ação policial.
O MTST é o grupo por trás da invasão chamada de Pinheirinho, em Ceilândia. Os ocupantes decidiram invadir a construção em Taguatinga após o benefício eventual, previsto para durar três meses, expirar.
Segundo um dos líderes da invasão, Rogério Cunha, a retirada não está nos planos do grupo: “Vamos ficar mesmo com polícia, porque estamos lutando por um direito que é nosso”.
Impasse
O GDF construirá prédios de apartamentos nos lotes da área de transição do Varjão, ocupados por possíveis beneficiários das 144 unidades, com previsão de entrega em nove meses. Estima-se que são 336 famílias morando no local, o que criaria um déficit de 192 moradias.
Em troca da retirada, a Secretaria de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda (Sedest) concedeu um auxílio aluguel, de R$ 408, o que desagradou à maioria dos moradores, que reclamou do valor e da falta de oferta de alugueis na cidade. De acordo com a Secretaria de Habitação (Sedhab), quem não for contemplado com o apartamento será removido para outras localidades.
Está prevista para hoje a ação que removerá os ocupantes e demolirá os barracos construídos na área de transição do Varjão. Os manifestantes decidirão hoje onde será o local do protesto.