Daniel Cardozo
Especial para o Jornal de Brasília

Depois de pararem a Estrada Parque Taguatinga (EPTG) e o Pistão Sul por mais de uma hora, em menos de 24 horas, os ocupantes da construção inacabada em Taguatinga avisam que não pretendem sair do local e resistirão a uma possível ação policial. A ordem judicial que exige que o terreno seja desocupado vence hoje, mas, na prática, uma reintegração de posse só acontecerá na segunda. O dono da área espera o cumprimento da decisão.
A Tribunal de Justiça definiu na última terça-feira que os ocupantes teriam 48 horas para sair do local. Após saberem da ordem judicial, o Movimento dos Trabalhadores Sem-teto (MTST), responsável pela invasão, fechou o Pistão Sul na quinta-feira à noite, e a EPTG na manhã seguinte, provocando um engarrafamento de mais de cinco quilômetros. Quem ia para o trabalho ou para outros compromissos passou horas para percorrer a via.
A ação dos invasores, que queimaram pneus na entrada de Taguatinga e fecharam o trânsito de saída da cidade, em pleno horário de pico, deixou os motoristas revoltados. Por volta das 7h, o grupo de sem-terra fechou o Pistão Sul com uma parede de pneus em chamas. Por quase uma hora o trânsito teve que ser suspenso para que os bombeiros apagassem o fogo. O Batalhão de Operações Especiais (Bope) foi acionado. Só com a chegada da tropa de choque foi que os manifestantes suspenderam o protesto e retornaram para a área invadida.
“Pensei que esse tempo de invasões tinha acabado aqui em Brasília. O problema é que as pessoas atrapalham a vida das outras, que não têm nada a ver com a questão. Meu filho vai perder a aula hoje. E quem vai pagar por isso?”, questionava, irritado, o servidor público Antônio Lopes Maia, 47 anos.
No carro de trás, também revoltada, estava a enfermeira Joana Carla Lima, 32 anos. “Pacientes serão prejudicados porque não conseguirei chegar no horário. Esses invasores só pensam neles. Até hoje não tenho casa própria, e nem por isso saio por aí invadindo terras públicas e privadas”, disparou.