
Os pacientes do Hospital Regional de Taguatinga (HRT) enfrentam uma série de transtornos a cada dia. Se já não bastasse a crise na saúde e as condições precárias de atendimento, eles também reclamam da presença de moradores de rua dentro da área hospitalar. A reportagem do Jornal de Brasília esteve ali e se deparou com a ala de emergência da unidade, onde fica um ponto de táxi, sendo usada como moradia.
Em meio ao clima de vulnerabilidade, José Vilberto, 50 anos, relata que leva e busca a esposa, que trabalha no HRT, todos os dias. “A saúde está precária e, como se não fosse suficiente, está cheio de moradores de rua aqui. Eles usam droga e, muitas vezes, abordam as pessoas”, conta.
Um dos moradores de rua, que se identificou como Demis, cantou um trecho de uma música da banda Legião Urbana, quando questionado sobre a presença no espaço: “Eu moro na rua, não tenho ninguém. Eu moro em qualquer lugar”. “Vivo e peço aqui. O chão é meu e é seu, fico onde quero”, afirmou.
Outra habitante do espaço, que se identificou como Dayana, alega que foi abandonada pelo Estado. “Falta ajuda do governo. As pessoas dali (ponto de táxi) não têm moradia e não têm condições”, afirma.
Insegurança

Os comerciantes dos quiosques nos arredores do hospital criticam a presença dos moradores de rua e ressaltam que a clientela diminui cada vez mais. “Eu me sinto constrangida. Os clientes reclamam. Aqui sempre foi assim. Tem briga quase todos os dias e todos ficam preocupados. Eles pedem comida, se a gente não der, eles ficam bravos”, desabafa a comerciante, que preferiu não se identificar.
Uma enfermeira do HRT, que também não quis revelar a identidades, garante que a presença dos pedintes já faz parte da rotina de funcionários e pacientes do hospital. Segundo ela, a sensação é de medo. “Nos sentimos ameaçados. Ainda mais sem os vigilantes. Saímos do trabalho sem crachá e jaleco. Eles nos xingam todos os dias. Tentamos sair como pacientes para não acontecer nada”, desabafa.