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Brasília

Intolerância impera contra moradores de rua

Arquivo Geral

26/03/2012 6h47

Nas últimas semanas, três moradores de rua foram mortos no Distrito Federal e um sobreviveu a um atentado a fogo, mas ficou com queimaduras graves por todo o corpo. A atenção básica e a humanização do atendimento dessas pessoas enfrenta a oposição de muitas outras, que não reconhecem em quem vive na rua um cidadão, detentor de direitos como o de receber a devida atenção do Estado. É isso o que relatam servidores públicos do Distrito Federal.

Representantes das secretarias de Saúde e de Segurança Pública do Distrito Federal, ouvidos pela Agência Brasil, afirmaram que o preconceito, o desconhecimento da realidade e o medo levam muitos a verem os moradores de rua apenas como uma ameaça ou um transtorno e a exigir do Estado soluções imediatas para um problema social complexo. Para eles, os crimes contra moradores de rua de todo o País são apenas “a ponta de um iceberg”.

“Infelizmente, vivemos com a noção de que parte da sociedade quer exterminar ou higienizar  (limpar as ruas da presença dos que não têm casa) estas pessoas, sem reconhecer que elas têm direitos”, afirma Antonio Garcia Reis Júnior, médico da equipe da Secretaria de Saúde do Distrito Federal e responsável por atender às famílias que, sem ter onde morar, vivem nas ruas do Plano Piloto . “Há muitas pessoas que não compreendem sequer a existência de equipamentos públicos sociais destinados à população de rua”, explica Reis Júnior

Ele afirma que, a mesma intolerância é verificada entre alguns agentes públicos responsáveis por atender à população de rua. “A rejeição a estas pessoas vem, não só de membros de uma comunidade, mas também de servidores públicos e até mesmo dos próprios moradores de rua. Há pacientes que reclamam da animosidade com que são tratados em outros equipamentos públicos, da relação com a polícia, entre outras queixas que acabam os afastando do Poder Público”, esclarece o médico da Secretaria de Saúde.

Saiba +

Pelo menos 165 moradores de rua foram mortos no Brasil entre abril de 2011 e a semana retrasada, segundo dados do Centro Nacional de Defesa dos Direitos Humanos da População em Situação de Rua e Catadores (CNDDH).

Além dos casos não notificados, as investigações policiais de 113 dessas ocorrências não avançaram e ninguém foi identificado e responsabilizado pelos homicídios.

Conforme o último censo da população do DF, há 2.365 pessoas vivendo nas ruas.

A Constituição Federal estabelece que a assistência social deve ser prestada a quem necessite.

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