Continuar estudando e ter uma profissão no futuro. Esta é a perspectiva dos adolescentes que cumprem medida sócioeducativa no Centro de Atendimento Juvenil Especializado II (Caje II/Cesami). Na manhã desta segunda-feira (27), order uma escola com cinco salas de aulas foi inaugurada pelo Subsecretário de Justiça, help Direitos Humanos e Cidadania, João Marcelo Mendes. A partir de agora, cerca de 120 adolescentes poderão estudar durante os 45 dias que ficarem internados no Caje II.
Os jovens em internação provisória terão aulas regulares, serão avaliados e terão presença computada como se estivessem frequentando normalmente a escola. Segundo Mendes, o apoio dos professores e a atuação do governo serão um incentivo para que esses jovens tenham cada vez mais vontade de aprender e mudar de vida.
O projeto representa um avanço na efetivação do direito desses jovens à educação, analisa o gerente de Educação de Jovens e Adultos da Secretaria, Edilson Rodrigues. “Muitos desses adolescentes acabavam sendo reprovados por falta já que, durante a internação provisória, ficavam impedidos de frequentar a escola”.
O centro já oferecia atividades e oficinas de caráter educacional, mas elas não contam para efeito de histórico escolar. As aulas terão início na próxima segunda-feira (3), juntamente com as demais escolas da rede pública do DF.
“Aqui no Caje II temos alunos que tiveram os estudos interrompidos para cumprir a medida socioeducativa e agora isso não vai mais acontecer”, afirmou a diretora do Caje II, Elizabeth Garcia Rodrigues. Ela explicou ainda que, entre os internos, há alunos em situação de evasão escolar e adolescentes que sequer foram alfabetizados. Por essa razão, todos os alunos serão matriculados em escolas regulares, próximas às suas casas, para permanecerem estudando depois do período de internação.
Parceria SEDF e SEJUS
O projeto foi viabilizado graças a um termo de cooperação técnica firmado entre as Secretarias de Educação e de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejus), responsável pelo Cesami. “A Sejus cede o espaço, recebe os nossos professores e fornece material didático”, explica a executora da cooperação na SEDF, Geovana da Silveira.
A contrapartida da SEDF foi elaborar e implementar o projeto. “Como se trata de uma metodologia inovadora, todo o processo será acompanhado de perto pelo Ministério Público”, diz Geovana.
O Caje 2/Cesami é um centro de internação provisória com capacidade para abrigar 120 jovens que cometem delitos. Eles permanecem no local por um período de até 45 dias, até que a Justiça decida se eles serão encaminhados para o cumprimento de alguma medida socioeducativa ou se serão liberados.
Segundo a coordenadora geral do projeto, Maria Aparecida de Sousa Menegassi, ex-professora do Caje I, os internos são em geral jovens com um histórico de distorção idade-série, possuem alto grau de aversão à escolarização em virtude de experiências sem êxito e não têm referências positivas.
Será feita uma avaliação para verificar se a escolarização declarada pelos internos corresponde à escolarização real. Muitos internos são analfabetos funcionais ou sequer são capazes de ler e escrever. Os alunos serão organizados em dez turmas mutisseriadas. No caso dos alunos que abandonaram os estudos, a SEDF vai atuar no sentido de reintegrá-los ao sistema de ensino.
Como os adolescentes ficam no Caje II apenas até 45 dias, serão utilizadas ferramentas capazes de atrair a atenção do aluno e que estimulem o interesse pelo estudo, como o cinema.
Serão ministradas cinco aulas por dia, com duração total de quatro horas. Ao final de cada uma delas será efetuada uma avaliação e computado o resultado no histórico escolar do aluno.