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Brasília

Internet é utilizada para restabelecer laços

Arquivo Geral

10/12/2012 9h19

Lucas Lavoyer

lucas.lavoyer@jornaldebrasilia.com.br



As inúmeras facetas das redes sociais atendem a uma sociedade sedenta por relacionamento interpessoal virtual. De tempo em tempo, surgem novas páginas para suprir um universo de demandas, incluindo a de restabelecer um vínculo de amizade ou reencontrar um parente há muito desaparecido. Por entre as opções, como Facebook, Twitter e o precursor Orkut –, existem incontáveis casos em que décadas de ausência foram transformadas em convívio frequente.

Com um sistema de buscas inteligente, o Facebook encabeça a lista de redes sociais capazes de reatar e manter amizades. O site criado por Mark Zuckerberg na Universidade de Harvard, EUA, em 2004, era acessado apenas por universitários. Em oito anos, a página alcançou um bilhão de usuários. 

 

Surpresa

As redes sociais  podem mexer com vínculos mais intensos, como os de família. Mesmo sem acessar internet periodicamente, o servidor Cleudes Flausino, 52 anos,  surpreendeu-se com a dimensão do universo virtual. Após três décadas sem notícias, ele encontrou um tio graças a poucas informações digitadas no campo de pesquisa do Facebook. Em algumas semanas, deverá receber o parente que mora em Goiânia (GO). “Quase não sabia o nome e não tinha ideia de onde morava. Agora, ele está vindo para cá com outros parentes que só conheci por fotos”, afirma. 

 

Foto: Raphael Ribeiro

 

Em 1991, a faturista Maria Safira de Moraes, 49, deixou Belo Horizonte (MG) com destino a Brasília. A mudança influenciou relacionamentos, e pessoas foram abandonadas pelas ações do tempo da distância. Quase 20 anos depois, reatou ao menos dois laços que haviam sido desfeitos, em minutos de navegação. “Encontrei duas amigas que não via há muitos anos. Uma delas é avó. Foi uma surpresa enorme. Depois de tanto tempo sem contato, nunca imaginaria que as veria”, comenta. Safira pretende visitá-las em breve.

 

Amizade sem fronteiras

As redes sociais também tornam-se responsáveis pela manutenção de círculos de amizades, com contatos por mensagens e ferramentas que auxiliam a troca de informações. Entre estes adereços, os “grupos” se destacam.

 

Moradores de quadras residenciais do Plano Piloto têm um espaço para debates e conversas fiadas. Integrante do “Brasília 70”, que reúne a juventude dessa década, e do “Família Michiles”, o cineasta Aurelio Michiles, 59 anos, destaca a importância destas ferramentas em sua vida: “Nesses grupos, as pessoas se reencontram. No caso do ‘Brasília 70’, éramos uma tribo, tínhamos uma convivência diária e, na medida em que a vida continuava, pessoas tomaram outros caminhos. Agora, encontram-se neste lugar virtual”, conta.

 

Ambivalência virtual

O impacto da internet no mundo contemporâneo é imensurável. Quanto às relações humanas, os sites de relacionamento podem ser um paradoxo interessante: enquanto facilitam comunicações, também provocam solidão.

 

Segundo o sociólogo da Universidade de Brasília (UnB) Marcelo Cavalcanti Barra, a web tem lados positivos e negativos. “Você pode ter contato e conversar com pessoas que não vê há muito tempo, mas isso pode gerar isolamento”, conta.

 

Ele pondera, no entanto, que relações antigas saem ganhando na internet. “Pela dinâmica da vida, a tecnologia derruba fronteiras”, diz.

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