Como se não bastasse o desgaste físico e emocional que o tratamento contra um câncer no cérebro traz, a modelista Ana Lúcia Lima, de 44 anos, ainda tem de se preocupar, todos os meses, em conseguir o medicamento Anastrosol, fundamental para sua sobrevivência. Ela segue em tratamento no Hospital Universitário de Brasília (HUB), que não dispõe do remédio e não tem previsão de quando um novo lote chegará.
Ao procurar ajuda em outros hospitais públicos, a resposta é que a paciente precisa estar em tratamento no local para poder retirá-los. Em função da fraqueza e da baixa imunidade, Ana Lúcia precisou parar de trabalhar e recebe apenas um salário mínimo do INSS. Com esse dinheiro ela mal consegue comprar uma caixa do remédio que, na versão genérica, custa R$ 507 na rede privada e dura apenas um mês.
A doença foi descoberta em estágio avançado, em função do diagnóstico tardio. Após a constatação, a indicação para cirurgia e retirada do tumor maligno foi imediata. No entanto, nada foi feito. A demora foi tanta que as filhas de Ana Lúcia precisaram solicitar intervenção judicial.
Só após a determinação da Justiça, operação foi realizada. No entanto, com os sucessivos adiamentos, o quadro se agravou e originou uma hidrocefalia (acúmulo de líquido no cérebro).
Foram necessárias duas intervenções cirúrgicas: uma para a colocação de um dreno permanente e, na sequencia, a outra, para a retirada do tumor.
Caro e difícil achar
Na Farmácia Escola, do Hospital Universitário, o medicamento está em falta. “Ela precisa do remédio, que toma diariamente. Uma caixa só dá para um mês e o hospital não tem nem previsão de quando chegará. Além de caro, até na rede privada é difícil encontrá-lo. Precisamos pedir à farmácia que encaminhe o pedido à distribuidora”, lamenta a filha mais velha Pâmela Caroline de Lima, de 21 anos.
O Hospital informou que recebeu um novo lote do medicamento na última quinta-feira (20) e que ele estava indisponível desde o dia 27/02 por conta de uma falha de comunicação com a fornecedora do remédio. Também ressaltou que “concentrou esforços para regularizar a situação e não prejudicar a continuidade do tratamento dos pacientes do Hospital”, afirmou a instituição em nota .
Mais problema
Para piorar, Ana Lúcia, que mora no Gama, está prestes a perder o direito de andar acompanhada de ônibus – são dois para ir e dois para voltar do hospital. “Ela tem o cartão vale-transporte, mas não tem condições de ir sozinha. A partir da semana que vem precisaremos renovar o vale e o novo sistema não aceita que o portador use o cartão mais de uma vez por viagem”, diz Brenda Rhanielly, de 19 anos, filha mais nova de Ana.