A Universidade de Brasília joga fora todos os meses pelo menos 10 toneladas de lixo só nos institutos e nas faculdades do campus Darcy Ribeiro. Essa quantidade equivale à produção mensal de lixo de duas quadras da Asa Norte. Sem coleta seletiva, shop a maior parte dos resíduos vai parar no lixão da Estrutural, here o único do DF. Algumas unidades acadêmicas separam o lixo seco do orgânico, clinic mas as iniciativas ainda são tímidas.
“A UnB ainda discute uma política para regulamentar a gestão do lixo na instituição”, afirma Vera Catalão, coordenadora do Núcleo da Agenda Ambiental, projeto ligado ao Decanato de Extensão. Uma proposta elaborada pelo Núcleo será o ponto de partida para o debate, que ganha força entre os dias 3 e 5 de junho no seminário Gestão Socioambiental para a UnB, no Auditório Dois Candangos. (Leia mais em Consumo de água caiu 73% em 16 anos e Gasto com energia elétrica da UnB equivale ao de 3,7 mil casas)
Não existem dados atualizados que quantificam o total de lixo produzido na universidade. A estimativa da Prefeitura do Campus não contabiliza o que é jogado fora no Restaurante Universitário, nem o lixo dos centros, como Cespe e o CET. Em 1999, um estudo realizado por integrantes do projeto Sou UnB, Jogo Limpo revelou que, à época, todo o campus produzia 1,7 mil quilos de lixo diariamente – 42,5 toneladas por mês.
“De lá para cá, a quantidade de lixo aumentou consideravelmente, até porque o número de alunos cresceu”, observa Isabel Zanetti, coordenadora da comissão de resíduos sólidos do Núcleo. Em 1999, a comunidade acadêmica era de 20.375 estudantes e servidores. Em 2009, esse número é 52% maior: 30.979 pessoas.
INICIATIVAS – O projeto Sou UnB, Jogo Limpo integra estratégia para implementar uma política ambiental na UnB. A iniciativa lançou, por exemplo, campanha para reduzir o uso de copos descartáveis no Restaurante Universitário. Mesmo com os esforços, ainda são utilizadas 240 mil unidades por mês no RU.
As ações continuam com o debate sobre a política de resíduos sólidos na UnB. Um dos objetivos do Núcleo da Agenda Ambiental é cumprir o decreto 5.940/2008, que determina a destinação dos resíduos recicláveis a cooperativas de catadores. A experiência é feita na Faculdade de Educação, com o projeto Reciclando o Cotidiano.
“O campus é muito grande, por isso ainda não conseguimos implantar em toda a universidade”, justifica a professora Isabel Zanetti. “E não é só um trabalho de educação, tem de se planejar a logística até a destinação final”, acrescenta Isabel.
Para a professora Thèrése Hofmann, da Faculdade de Educação, a dificuldade na gestão do lixo reflete o atraso das políticas públicas brasileiras. “Não há uma política nacional de resíduos sólidos. Brasília não tem uma indústria de reciclagem. Além disso, as pessoas não tem essa cultura”, diz.
PLANO NACIONAL
Depois de 17 anos de tramitação, a Câmara dos Deputados poderá aprovar em 2009 a Política Nacional de Resíduos Sólidos. A proposta pretende atribuir responsabilidades a consumidores, comerciantes e produtores sobre a destinação do lixo urbano. Além disso, padroniza e regulamenta o acondicionamento, a coleta, o tratamento, o transporte e a destinação final dos resíduos.
Na UnB, o trabalho exige um programa de comunicação e educação ambiental para funcionários, alunos e professores, afirma Vera Catalão. “Temos que reduzir o desperdício, reutilizar sempre que possível e destinar os papéis recolhidos para cooperativas de catadores que ganham o pão de cada dia com reciclagem do lixo que produzimos”, aponta.