A história de André Luiz Silva, professor de educação física e fundador do Instituto Phoenix – dedicado a utilizar o basquetebol como instrumento para transformar vidas –, gira em torno de uma palavra: superação. Com aproximadamente 12 anos de idade, ele teve o primeiro contato com alguns tipos de drogas, como cola de sapateiro e solventes. Foi nesta mesma época que ele conheceu o esporte que o incentivaria a sair do vício que durou cerca de 11 anos. André continuou neste período de tempo a utilizar drogas e praticar basquetebol, sabendo, sempre, que estes dois caminhos, traçados juntos, provavelmente o impediriam de viver o sonho de se tornar jogador de basquetebol.
“Os anos foram se passando e eu seguia usando drogas, mas sempre acreditava que aquilo iria me afastar do meu grande objetivo de virar jogador profissional de Basquetebol”, afirma André.
André tomou uma decisão no ano de 2001, depois de muitos impasses, que ajudaria outros jovens do Distrito Federal: “Pedindo ajuda para Deus, me comprometi a largar as drogas caso Ele me ajudasse a passar no vestibular e alcançando essa graça no ano de 2001, fiquei livre deste mal desde então”.
Livre das drogas, André decidiu cursar Educação Física, pelo interesse por basquetebol e pelo sonho de tocar um projeto social que ajudasse jovens a largar o vício praticando esporte. Depois de se formar, ele trabalhou como voluntário em um Campeonato Brasileiro de Basquetebol em Cadeiras de Rodas.
Depois de ter o primeiro contato com a modalidade, ele fundou, no colégio CEAB, o Instituto Phoenix, “em homenagem a amigos que tiveram que renascer das cinzas como o pássaro mitológico, após sofrerem um acidente que os deixou com uma deficiência física. A partir daí, eu iria utilizar a Phoenix e o Basquetebol para transformar a vida de jovens, fazendo que eles tivessem uma nova oportunidade de mudança através do esporte, como eu tive a minha”.
O instituto, que completa seis anos em 2014, funciona, hoje, como um espaço para jovens estudantes e para cadeirantes mulheres que encontram no esporte uma forma de escape e de ajuda. Segundo André, o espaço é o único a ter uma equipe exclusivamente feminina de cadeirantes em Brasília. Apesar do esforço dele para manter o instituto com as portas abertas, existem algumas adversidades: “No momento, funcionamos com doações. Hoje tenho alguns amigos que me ajudam com R$ 50 por mês. Mas esse valor é pouco porque temos muitos gastos. Compramos tênis, uniformes e lanches para o jovens. As cadeirantes necessitam de alguns cuidados especiais, como por exemplo ter alguém disponível para pegá-las em casa. Eu estou financiando um doblô para buscar as atletas, mas necessito de ajuda para financiar o carro.”
Estes e outros empecilhos fazem com que a escola perca cada vez mais participantes. A equipe de cadeirantes conta, hoje, apenas com quatro atletas; enquanto a de jovens tem aproximadamente 50 pessoas. “Não temos patrocínio, nem recurso para viajar. É difícil, para os atletas, treinar e não conseguir competir nacionalmente. Em época de campeonato, é difícil, para as cadeirantes, viajar de ônibus. Por isso batalhamos para conseguir passagem de avião”, afirma André.
Com o intuito de aumentar a visibilidade da modalidade, o Instituto Phoenix, em parceria com o Sest Senat Brasília fará, nos dias 15, 22, 29 e 30 de março a 1º Copa Sest Senat de Basquetebol em Cadeira de rodas. Serão 72 pessoas que competirão na modalidade no ginásio de esportes localizado na QS 420, conjunto 8, lote 1, sub centro leste, complexo de Furnas, Samambaia/DF.
O administrador de empresas e cientista político Lennon Custódio é um dos incentivadores do evento e admirador da causa. Ele acredita que é fundamental aproximar os brasilienses à modalidade: “O basquetebol em cadeira de rodas é capaz de mudar a vida de pessoas que, na maioria das vezes, são marginalizadas e discriminadas socialmente. É por meio da prática do esporte que estes atletas encontram uma forma de se reinserir na sociedade, superar dificuldades e se desafiar. O evento feito pelo Instituto Phoenix e pelo Sest Senat Brasília é um exemplo de como melhorar a autoestima destas pessoas através de uma competição amistosa e benéfica não só para os atletas, mas para todos os cidadãos de Brasília”.
Evento: 1ª Copa Sest Senat de Basquetebol em Cadeira de Rodas
Datas: 15, 22, 29 e 30 de março e 05 de abril
Horário da abertura: 09:00
Local: Sest Senat Brasília – Samambaia Sul/DF