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Brasília

Instituto lança serviço pioneiro para deficientes auditivos

Arquivo Geral

20/02/2010 6h00

Felipe Lima
felipe.lima@jornaldebrasilia.com.br

 

O Instituto Cultural, Educacional e Profissionalizante para Pessoas com Deficiência (ICEP-DF) lançou no último mês um serviço pioneiro no Brasil. A Central de Libras, um programa de acessibilidade para surdos, está prestes a completar dois meses de funcionamento e comemora os 78 atendimentos realizados do início do ano até o dia 19 deste mês – um número excelente, mas ainda pequeno diante dos cerca de 174 mil deficientes auditivos vivendo no DF e entorno.

 

O programa, financiado pela Secretaria de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social do Ministério da Ciência e Tecnologia, ao custo de R$ 353 mil, foi planejado para atender uma demanda cada vez maior de deficientes auditivos que precisam de intérpretes para garantirem uma comunicação adequada com órgãos e empresas dos setores público e privado. “Nosso objetivo é garantir que o surdo se sinta seguro, além de abrir os olhos da sociedade para os problemas que eles são obrigados a enfrentar dia após dia”, afirma o presidente do ICEP, Sueide Miranda.

 

Por lei, todos os órgãos públicos do GDF devem qualificar 5% de seus funcionários em Libras, a língua brasileira de sinais, a fim de proporcionarem aos surdos o direito ao bom atendimento. O que nem sempre é cumprido. Michaele Thomaz de Carvalho, intérprete da Central de Libras, sofreu na pele a resistência por parte de um hospital em Sobradinho quando precisou acompanhar uma paciente em estado de parto. “Nós tivemos a petição de acompanhamento negada pela diretoria do hospital. Eu precisei argumentar muito, insistir. Só tive a entrada liberada quando a coordenação do ICEP encaminhou um fax com a cópia da lei que garante o atendimento”, conta.

 

O professor universitário Falk Moreira, 34, teve mais sorte. Ele precisava de um intérprete para acompanhá-lo em uma reunião onde reinscindiria um contrato de trabalho. “Antes de conhecer o serviço dependia muito da minha esposa ou do meu irmão para me acompanhar. A Central de Libras melhorou muito a minha rotina, já que permite uma flexibilidade maior de horário”, explica Falk, traduzido por Virgílio Soares, intérprete de Libras há 18 anos.

 

O presidente do ICEP, Sueide Miranda, conta que o projeto surgiu há quatro anos, fruto das reclamações dos surdos e da observação de que a surdez está entre as deficiências menos contempladas nos programas de acessibilidade. Há dois anos, ele apresentou o projeto ao Ministério de Ciência e Tecnologia e no ano passado obteve a verba necessária para iniciar os trabalhos da Central. A ajuda do governo garante o funcionamento do programa até setembro deste ano. Até lá, Sueide espera ter uma nova verba aprovada, garantindo assim o funcionamento da Central de Libras por todo o próximo ano. “As pessoas já têm demonstrado preocupação com a possibilidade de o programa acabar”, afirma.

 

A cada acompanhamento feito pela Central de Libras, uma ficha é preenchida pelo intérprete e assinada pelo usuário do serviço. As informações prestadas na ficha servirão para montar uma base de dados, que por sua vez, será utilizada como incentivo para a criação de um projeto de lei, que, se aprovado, amplia consideravelmente o número e a qualidade do atendimento.

 

O coordenador da Associação de Pais e Amigos dos Deficientes Auditivos (APADA-DF), Marcos Brito, reconhece a importância da iniciativa mas acredita que, em breve, o atendimento precisará ser otimizado. Por isso, é interessante que se pense em como a tecnologia poderia ajudar. “A Central de Libras funciona ainda sob uma perspectiva limitada. Nos Estados Unidos essa prática existe por meio de uma interface tecnológica, que reúne webcam, internet e outras mídias, o que permite que mais pessoas possam usufruir do serviço”, diz.

 

Saiba +

O Plano Piloto, por compreender a maior parte de escritórios de empresas, é onde se concentra a maior parte dos atendimentos, cerca de 90%. Procura por atendimentos médicos e atividades relacionadas à empregabilidade são os serviços que exigem acompanhamento com mais frequência.

 

A Central de Libras funciona no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA Trecho 3, lote 1240) e conta com uma equipe de oito intérpretes e cinco operadores de telemarketing, além de dois motoristas.

 

O atendimento pode ser agendado pessoalmente ou por meio de telefone, e-mail, chat e SMS, de segunda a sexta-feira, das 08h às 19h. Os contatos são:

0800 600 6657
3031-1720

SMS para 8145-7896
E-mail para agenda.centraldelibras@icepbrasil.com.br
Chat no www.icepbrasil.com.br

 

Tanto o ICEP (3031-1705) quanto a APADA (3346-8025) realizam cursos para a comunidade onde é possível aprender a Linguagem Brasileira de Sinais. As inscrições estão abertas e as aulas começam em março.

 

O ICEP abriu turmas exclusivas para o ensino de Libras aos funcionários públicos do GDF. Para incentivar a participação dos servidores, o curso será totalmente sem custo.

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