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Brasília

Insegurança ultrapassa portões dos condomínios do DF

Arquivo Geral

24/07/2017 7h00

Foto: Ariadne Marçal

João Paulo Mariano
Especial para o Jornal de Brasília

Para muitos, a escolha de morar em condomínios horizontais é baseada em duas possibilidades: viver em uma casa com mais espaço e ter mais segurança. Porém, essas “fortalezas”, que traziam mais tranquilidade a seus habitantes, estão sendo ameaçadas por furtos e invasões. Somente a segurança interna não seria suficiente para evitar todos os casos. A Polícia Militar, por sua vez, garante que trabalha nessas áreas com afinco.

“Estatisticamente, ainda é seguro (morar em condomínio). Mas não é o que se percebe no dia a dia. Quem tem a casa assaltada não acha que é seguro”, relata o síndico do condomínio Privê Morada Sul Etapa A, Livino Silva, que mora no Altiplano Leste há 14 anos. Ele afirma que a violência do lado de fora do condomínio aumenta e, com isso, ocorrências internas ficam mais comuns.

Livino gostaria de caminhar tranquilamente nas áreas em volta de seu condomínio sem se preocupar, mas não é possível devido à insegurança. No mês passado, por exemplo, em um sábado à noite, a casa de uma família foi invadida. O ladrão teria arrombado a porta da varanda e entrado. O bandido até tentou entrar em algumas casas antes, mas não obteve sucesso. Ao perceber que havia gente na moradia, fugiu levando um televisor. As vítimas só perceberam na manhã seguinte.

O síndico analisa que os invasores pulam o muro e, em geral, buscam as casas que ficam próximas aos limites do condomínio. “A gente muda os protocolos, mas eles também estudam o espaço”, afirma o responsável pelo loteamento com 386 famílias.

Versão Oficial

A Polícia Militar informa que existe uma viatura para a região do Altiplano Leste e o 20º Batalhão também atende as ocorrências e implementa policiamento ostensivo na área mencionada. O patrulhamento rural, feito pelo Batalhão de Polícia Militar Ambiental(BPMA), abrange uma área muito grande e de difícil acesso, porém as viaturas destinadas à localidade atendem as ocorrências e fazem o patrulhamento.

Segurança interna

O condomínio conta com vigilantes, segurança interna com motos e portaria com identificação, mas isso não seria o suficiente até porque os funcionários não têm poder de polícia. Para o síndico Livino, não é preciso muito para trazer segurança ao local. Ele percebe a boa vontade e o esforço da Polícia Militar para proteger os vários condomínios da região, mas faltariam recursos, tanto materiais como de pessoal.

Para o futuro, o síndico pretende instalar câmeras em todo o empreendimento e arredores para trazer mais segurança e até controlar o trânsito, como um complemento da segurança pública.
O morador de uma chácara próxima ao condomínio, Avay Miranda, concorda com a falta de estrutura de segurança da região. Ele avalia que os moradores sofrem de uma invisibilidade que traz uma série de problemas. Até mesmo a falta de estatísticas precisas, segundo ele, dificulta a vida dos que vivem em condomínios e chácaras do Altiplano Leste.

Em busca de soluções

A pouco mais de 11 quilômetros do Altiplano Leste, uma outra região conhecida por seus muitos condomínios, o Jardim Botânico, passa por esse momento de insegurança em seus loteamentos. O presidente do Conselho de Segurança da região, Flávio Henrique Santos, percebe que as ocorrências de furtos, roubos ou invasões nos condomínios são uma realidade, mas avalia que o problema não tira os benefícios desses espaços, frente a outros endereços.

Ele não acredita que os dados de violência tenham aumentado apenas no Jardim Botânico, mas sim em todo o DF. Nos últimos meses, o conselho de segurança e a PM se reuniram para tentar amenizar os problemas. Uma das soluções encontradas foi implementar um sistema para que a resposta da corporação fosse mais rápida. O tempo de atendimento caiu de cerca de uma hora para seis minutos, nas últimas ocorrências.

Ainda é vantajoso

Para a diretora da União dos Condomínios Horizontais e Associações de Moradores do DF (Unica- DF), Cíntia Beatriz de Freitas, mesmo com os episódios de violência, morar em condomínio continua sendo a melhor opção no quesito segurança.
“A gente se sente mais seguro que um morador de quadra ou de regiões não condominiais. Há ainda a questão do espaço, que é maior”, diz a antiga habitante das asas Sul e Norte, que não abandona mais a moradia em condomínio.

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