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Purple Run 2022 conscientiza sobre a epilepsia e incentiva o apoio a quem luta contra o preconceito

Por Mayra Dias 21/01/2022 3h22
A edição 2022 virá com muitas novidades, entre elas está a premiação “Eficiente”. Foto: Divulgação

“É uma corrida com foco em conscientização à epilepsia. É importante que todos tenham mais informação sobre o tema. Será um evento muito agradável, com um percurso excelente, bem planejado e sinalizado, e o mais importante, ajudará muita gente! Consegui me consagrar campeã nela e voltarei com meu bebê, porque é muito especial”, comenta a atleta Lorena Nunes a respeito da Purple Run 2022. O evento, que está na sua 5ª edição, acontece no dia 30 de janeiro e faz campanha pela conscientização sobre a epilepsia, incentivando o apoio às famílias e às entidades que lutam por essa causa e auxiliam no combate ao preconceito.

“O objetivo é levar conhecimento à população para combater o preconceito às pessoas com epilepsia, que é conhecido pelo desconhecido”, desenvolve a Lana Rezende, coordenadora da Purple Run. “É importante não só para a família, mas também para as pessoas que têm a doença. É essencial a sociedade saber que podem se aproximar, acolher, dar carinho, dar atenção, compreensão, respeitar todos os portadores de alguma deficiência”, completou a empresária. O evento é realizado pela empresa Instituto Meninos do Pôr do Sol e Secretaria de Esportes do GDF, através de emenda parlamentar do Deputado Delmasso. A corrida é organizada pela ONG Viva Além das Crises e pelo Centro de Missões Dupla Honra, com a supervisão e o apoio técnico da Federação de Atletismo.

Como comenta a dentista e praticante de corrida desde 2015, Luiza Charlene da Silva, o esporte é algo extremamente importante, pois, além de gerar saúde física e mental, proporciona, para muitos, algo profissional, além de ser visto como um direcionador na vida das crianças. “A corrida pode ser um facilitador de temas como esse, e acredito que impulsiona não apenas nós atletas, mas quem vai acompanhar e assistir pessoas que passam nas redondezas. Quem vive nessa luta se sente reconhecido”, argumenta a brasiliense de 39 anos. Ela acrescenta ainda que muitas pessoas acreditam que quem tem epilepsia não pode realizar esporte. “Mas não é verdade”, enfatiza. Assim como uma pessoa considerada saudável necessita de acompanhamento médico, o epilético também precisa ter todo o cuidado médico e seguir as orientações do profissional. “Sobre a corrida, dizem que envelhece e muito pelo contrário, regenera”, acrescenta.

Para participar, o atleta deve fazer sua pré-inscrição no site e doar 2kg de alimentos não perecíveis na retirada de Kit (dias 28 e 29 de janeiro, de 9h às 19h, na Administração do Guará). As inscrições estão abertas até o dia 23 de janeiro e outras informações podem ser consultadas no site: www.purplerun.com.br. “Entre 2020 e 2021, tivemos 4 edições onde nos surpreendeu o número de inscritos”, revela Lana Rezende. Ela acredita que, através da Purple Run, cuja primeira etapa foi em dezembro de 2020, é possível alcançar, tanto digitalmente quanto presencialmente, um número significativo de pessoas, além de levar a visão de que, independente do que a pessoa está passando, ela precisa de acolhimento. “Todos precisamos de afeto, porque só por meio da empatia e do respeito é que vamos conseguir diminuir o preconceito, seja por alguma doença ou situação racial”, completou a dirigente do evento.

A edição 2022 virá com muitas novidades. Entre elas está a premiação “Eficiente”. Os atletas PcD (Pessoas com Deficiência) farão sua inscrição, enviarão a documentação, e se houver guia, o documento e a inscrição também deverão ser realizados. “A corrida é um universo infinito de possibilidades, traz alegria, paz interior e é um momento de cuidado com meu corpo. Além de trazer saúde física, proporciona aventuras, desafios e novas amizades”, finaliza a dentista e corredora Luiza Charlene.

É obrigatório o uso de máscara de proteção. Os atletas a partir de 12 anos deverão ser acompanhados pelos responsáveis, conforme regulação Cbat e legislação local. A largada acontecerá às 7 horas em frente ao Edifício Consei, no Guará II. Os atletas participarão de percursos de 5km de corrida e 2,5km de caminhada.

A epilepsia

Segundo a definição atual da Liga Internacional contra a Epilepsia (ILAE), esta é uma doença cerebral caracterizada por uma predisposição permanente em originar crises epilépticas e pelas consequências neurobiológicas, cognitivas, psicológicas e sociais destas crises. “As epilepsias podem ser causadas por lesões estruturais, alterações genéticas, erros inatos do metabolismo, doenças neurocutâneas, doenças cromossômicas, infecciosas, metabólicas ou autoimunes”, esclarece o doutor Lucas Cruz Costa Leal, neurologista e neurofisiologista do Hospital Anchieta de Brasília, especialista no tema. Conforme explica o profissional, a enfermidade se manifesta por meio de crises das quais a mais conhecida pelo público em geral é a convulsão tônico-clônico generalizada. “Nesses casos, o paciente perde os sentidos, se debate fortemente movimentando o corpo e os membros, podendo salivar em excesso, morder a língua e urinar na roupa”, pontua.

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No entanto, existem crises menos intensas, caracterizadas por breves desligamentos, formigamentos ou contrações restritas a alguns grupos musculares conhecidos como crises epilépticas focais. “É importante enfatizar que quando um paciente é avaliado com queixa de possíveis crises epilépticas, múltiplos diagnósticos diferenciais são possíveis. Estes incluem desmaios de origem cardíaca, distúrbios do sono, transtornos de movimento e outros eventos não-epilépticos psicogênicos”, desenvolve o doutor.

De acordo Priscila Proveti, que também é neurologista no Anchieta, alguns tipos de epilepsia têm cura, seja pelo tratamento cirúrgico, ao retirar a causa, seja por amadurecimento cerebral em alguns tipos de quadros na infância. “Contudo, a maioria dos pacientes vão apresentar o quadro a vida toda”, sintetiza. “Entretanto, a maioria das crises epilépticas podem ser controladas com uso de medicações de uso contínuo. Alguns casos de epilepsia refratária podem ser tratados com cirurgia”, continua a médica.

O paciente com essa condição, como destaca Priscila, deve ser bem orientado sobre sua doença, fazer uso das medicações de forma correta e evitar fatores que podem desencadear crises, como consumo de álcool, privação de sono, jejum prolongado ou uso incorreto das medicações. “A maioria dos pacientes conseguem apresentar controle das crises com o uso de medicações anti-epilépticas diárias e a grande parte consegue ter uma vida normal”, garante. As crises podem aparecer em qualquer faixa etária, acometendo pacientes de ambos os sexos. Pessoas com alterações cerebrais, contudo, como AVC, tumor, encefalite, alterações genéticas, malformação cerebral, apresentam crises com maior frequência. Porém, crises epilépticas podem surgir em pessoas sem anormalidades identificáveis ou somente por alterações metabólicas, como hipoglicemia ou altas taxas de glicose no sangue.

Na avaliação da neurologista, ainda há muita desinformação sobre a doença e seu tratamento, além de interpretações místicas e religiosas, gerando preconceito em relação à condição. “A maioria da população ainda não sabe lidar com alguém apresentando uma crise. A taxa de desemprego é maior nessa população, por exemplo”, salienta. Como ela acrescenta, a doença é uma condição neurológica que acomete até 1% da população e ocasiona grande impacto social, financeiro e que ainda aprisiona muitos mitos e interpretações místicas e religiosas. “Conscientizar a população de que é uma condição que possui tratamento e que a pessoa pode ter uma vida normal é importante para inclusão desse grupo na sociedade”, acredita Priscila.

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Serviço

Inscrições: 17 ao dia 23 de janeiro
Data: 30 de janeiro
Horário: 07h
Largada: Canteiro Central, próximo ao Edifício Consei, Guará I








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