Eric Zambon, com agências
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A inflação acumulada em Brasília alcançou 2,68% em 2017 e cresce acima da média nacional (2,21%). Com a alta de 0,48% este mês no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o DF é a quarta unidade da Federação que mais castigou seus cidadãos nesse quesito. A culpa, pelo menos em outubro, é da energia elétrica, seguida pelo gás de cozinha.
As contas de luz mais caras oneraram a habitação e foram as responsáveis por fazer o setor ter inflação de quase 1,5% no mês, conforme a Companhia de Planejamento do DF (Codeplan).
A variação é uma exigência da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que costuma promover reajustes da tarifa em outubro e, desta vez, alterou o valor de R$ 2 a cada 100 quilowatts/hora para R$ 3,50. As altas no preço do combustível também são citadas pelo Buriti como as causas da variação elevada na capital. Isso teria, inclusive, feito o percentual acumulado dos últimos 12 meses da categoria de transportes ser o mais expressivo, levando em conta apenas esse período.
Apesar dos números, o diretor de Estudos e Pesquisas Socieconômicas da Companhia de Planejamento (Codeplan), Bruno de Oliveira Cruz, garante que Brasília acompanha o restante do País com a tendência de baixa. “Houve queda na inflação para o Brasil. O índice nacional foi abaixo do esperado”, assegura.
Os outros responsáveis por puxar os aumentos no DF foram os setores de alimentação e bebidas (0,02%), da comunicação (0,5%), de educação (0,15%), de saúde e cuidados pessoais (0,28%) e de vestuário (0,79%).
A única deflação registrada pela Codeplan foi de artigos de residência, cujos preços caíram 0,28% na comparação com setembro. A gerente de Contas e Estudos Setoriais da Companhia, Clarissa Jahns Schlabitz, afirma que o índice deve permanecer como está ou com variações mínimas até o fim de 2017.
Alívio para a baixa renda
Em relação ao Índice Nacional de Preço ao Consumidor (INPC) do DF, que leva em consideração apenas os gastos de famílias de baixa renda (de um a quatro salários mínimos), a inflação de outubro foi baixa, 0,38%. Ainda assim, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi a sexta maior do País.
Novamente, a habitação teve a variação mais elevada, com 1,48% , mas, desta vez, além da energia elétrica, o setor foi prejudicado pelo aumento do gás de cozinha.
Na semana passada, o Jornal de Brasília já havia mostrado que o gás acumula inflação de mais de 10% no País e o DF é um dos lugares mais caros. O preço médio do botijão é de R$ 61,53, segundo tabela da Agência Nacional do Petróleo (ANP).
A culpa, nesse caso, é da nova política de reajustes da Petrobrás, que anuncia variações semanais nos valores de distribuição, segundo a empresa, para acompanhar “variações de câmbio” e o “mercado internacional.”
Saiba mais
- O último reajuste do Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), o popular gás de cozinha, foi de 4,5% sobre o valor cobrado nas refinarias e entrou em vigor em 5 de novembro.
- As maiores inflações do ano no IPCA são de Recife (2,47%), Vitória (2,27%), Curitiba (2,26%) e Brasília (2,19%). A menor é de Goiânia (0,74%).