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Brasília

Indo contra a média nacional, DF tem alta no número de casamentos

Dados da Codeplan indicam aumento no registro de cerimônias e redução de divórcios

Mayra Dias

11/11/2021 18h15

Foto: Renato Alves/Agência Brasília

O amor está no ar e no quadradinho. Contrariando a média nacional, o Distrito Federal tem se mostrado um bom terreno casamenteiro. Isso é o que mostra a pesquisa da Companhia de Planejamento do DF (Codeplan), que mostra que, entre 2014 e 2019, o total anual de casamentos ocorridos na capital federal subiu de 18.379 para 20.130. Os valores revelam um salto de 9,5% nos matrimônios, enquanto, no mesmo período, em todo país, o que aconteceu foi uma redução no número de casamentos e aumento de divórcios.

As Estatísticas do Registro Civil, referentes a 2019 e divulgadas em dezembro do ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ilustraram que, no Brasil, foram registrados cerca 1,02 milhão de casamentos em 2019, o que foi cerca de 28,8 mil a menos que em 2018. Foi uma queda de 2,7%. Essa baixa, contudo, foi observada em todas as grandes regiões do país na passagem de 2018 para 2019, provando uma, cada vez menor, adesão dos brasileiros às uniões civis formalizadas. O estudo expôs ainda que, foram concedidos, neste mesmo ano, em 1ª instância ou por escrituras extrajudiciais, 383,3 mil divórcios.

Em contrapartida, conforme traz o levantamento da Codeplan, Brasília não apresentou números tão altos quanto o resto do país com relação às separações. Neste período, portanto, os divórcios anuais caíram de 5.913 para 4.653, apresentando uma redução equivalente a 21,5%.

Uniões informais

Em 2019, segundo o levantamento, enquanto 80,2% dos brasilienses que viviam em uniões estavam em matrimônios registrados em cartório, os outros 19,8% restantes viviam nas chamadas uniões informais, cujo um casal decide morar junto, porém sem formalizar o matrimônio legalmente. É o caso, por exemplo, de Daniele Araújo, de 42 anos. Mãe de duas filhas, ambas fruto de relações informais, ela conta que não pretende se casar com o atual parceiro, e que os dois vivem em acordo e harmonia com relação a situação. “Não temos vontade de casar no cartório porque está dando certo assim, talvez até melhor do que se nos envolvêssemos em burocracias”, compartilha. “Estamos há quase 15 anos juntos e nunca tivemos problema com relação a forma que nos relacionamos aqui dentro de casa. É um casamento, não deixa de ser.”

A moradora de sobradinho que trabalha como cabelereira, salienta que a filha mais velha, nascida na sua primeira união, já construiu um vínculo afetivo com o atual companheiro da mãe, e que, inclusive, já o chama de pai. “O pai biológico dela nunca esteve presente, então meu parceiro atual foi a figura e a referência masculina que ela teve. Ele sempre tratou e cuidou dela com muito carinho, acompanhou o crescimento dela, então, sem dúvidas, esse sentimento é recíproco”, comenta Daniele.

De acordo com os dados da Codeplan, a maioria dos casais nessa situação são formados por jovens entre 14 e 24 anos de idade. Tal formato de união, dessa forma, era o contexto de 76% dos brasilienses que tinham entre 14 e 19 anos, e de 62% dos que se encontravam entre 20 e 24 anos. A partir dessa idade, o mais comum são os casamentos formais.

Na avaliação do próprio Instituto, “uniões consensuais (não registradas) são mais frequentes entre os mais jovens, muito provavelmente, porque a união registrada está relacionada a condições econômicas mais favoráveis, e que muitos destes jovens, tendem a registrar a união algum tempo depois”, escreveram.

Casamentos entre pessoas do mesmo sexo

Outro aumento também comprovado pela Companhia de Planejamento, foi no número de casamentos civis entre as pessoas de mesmo sexo. Em 2014, período em que o estudo iniciou-se, foram 4.854 oficializações, o equivalente a 0,4% dos matrimônios realizados naquele ano. Já em 2019, o valor saltou para 9.056 cerimônias, sendo estas 0,9% do total. Entre as mulheres, as uniões foram maiores, totalizando 53%, enquanto, entre os homens, foi de 47%.
No Brasil, também foi registrada tendência de aumento nesse tipo de casamento. A pesquisa do IBGE mostrou que, dos cerca de 1,02 milhão de casamentos formalizados no país, 9,05 mil foram entre pessoas do mesmo sexo. Em 2018, esse valor bateu seu recorde, apresentando uma alta de 61,7%.

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