Francisco Dutra
francisco.dutra@jornaldebrasilia.com.br

Inconformados com a tragédia do deslizamento, moradores de Vicente Pires abriram o verbo sobre o impacto do escoamento de águas pluviais no Córrego Samambaia. Nas palavras da população, após a construção de uma rede de vazão da água da chuva, feita pelo Metrô-DF, o nível do córrego aumentou assustadoramente no período chuvoso. A direção do Metrô afirmou que a obra é regular, mas garante que fará uma vistoria técnica. Por outro lado, a Administração Regional de Vicente Pires declarou que pedirá um estudo técnico das instalações para a Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap) e para o Metrô e demais órgãos para um complemento.
“Desde a construção, a erosão nas margens vem aumentando. Meus pais, meus tios já foram até o Metrô e aos órgãos competentes”, contou Débora Cardoso Sampaio, 28 anos, enfermeira, sobrinha de Antônia Maria. Agora que o pior ocorreu, Débora acredita que as autoridades vão tomar as devidas providências para evitar novas perdas. “E não é só nesse ponto que a água sobe. Há outros lugares”, alertou.
Procurada pela reportagem do Jornal de Brasília, a Novacap confirmou que a obra do Metrô é regular e que foi construída dentro dos trâmites legais. Segundo a assessoria, técnicos visitaram o ponto ontem e identificaram água suja que, teoricamente, não deveria estar sendo escoada.
Por isso, a Novacap suspeita que existam ligações irregulares, “gatos” no linguajar popular, de águas pluviais na rede que deveria ser de uso exclusivo do Metrô. A empresa pública revelou que sistematicamente vem sendo procurada para ceder o uso da rede pluvial, mas sempre negou os pedidos. O órgão prometeu que investigará o caso, mas lembrou que a área sofre com fatores ligados à ocupação irregular.
Segundo o administrador regional de Vicente Pires, Dirsomar Chaves, a questão da vazão das águas pluviais no córrego será estudada em detalhes para a realização de possíveis intervenções.
Leia mais na edição desta SEXTA-feira (23) do Jornal de Brasília.