Instituído em 2008, o Dia Nacional da Mamografia tem como objetivo conscientizar a todos da importância de se fazer o exame. Isso se deve principalmente pelos dados no Brasil ainda serem alarmantes: enquanto a sobrevida média cinco anos depois do diagnóstico no mundo é de 61%, aqui a taxa ainda é de 52%. O presidente da Associação Médica de Brasília, Luciano Carvalho, observa, em grande parte, que isso ocorre por conta do reconhecimento tardio da presença da doença no sistema. No Distrito Federal, a incidência de câncer de mama deve superar a média nacional em 2014, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Câncer José Alencar (Inca). A estimativa para todo o País é de que ocorram 56,09 casos a cada 100 mil habitantes. No DF, a taxa poderá chegar a 62,88. Luciano Carvalho também considera a data um momento de reflexão, já que o melhor método de combater o câncer de Mama é o diagnóstico precoce.
Para a presidente da Academia de Medicina de Brasília, Janice Lamas, por ser, reconhecidamente, o melhor método de detecção precoce do mal, a mamografia ainda é a maior aliada para as mulheres entre 40 e 50 anos – faixa etária em que a ocorrência da doença se mostra mais acentuada. “O exame consegue trazer uma redução de 20% na mortalidade, por conseguir detectar tumores que ainda não são sentidos pela paciente, já que, na maioria das vezes, quando a mulher começa a sentir dores e percebe a presença de nódulos a doença já está em estado avançado”, explica.
Apesar de fatores genéticos influenciarem nas chances de ter o câncer de mama – é consenso que quem teve parentes em primeiro grau afetados pela doença devem procurar auxílio de mastologistas e ginecologistas e verem como deve acontecer o acompanhamento em relação a isso –, estes ainda representam apenas entre 10 e 15% dos casos diagnosticados. A especialista afirma que muito do que se percebe, em geral, é resultado da mudança de rotina enfrentada pela mulher moderna: a menstruação precoce, a menopausa tardia, o uso de hormônios anticoncepcionais, ter filhos cada vez mais tarde, o sedentarismo, a alimentação inadequada e até mesmo uso de bebidas alcóolicas.
Janice Lamas diz que o autoexame já não tem tanto destaque na prevenção da doença. Por acreditarem ser suficiente, muitas mulheres acabavam não se submetendo a exames mais completos e acabavam tendo acompanhamento médico apenas em fases avançadas da doença. Apesar disso, ainda é muito recomendável para mulheres que vivem em áreas muito remotas ou sem acesso à mamografia, por ser uma de suas únicas alternativas.
A data serve de alerta e relembra as indicações de que o exame deve acontecer a partir dos 40 anos (35 para os grupos de risco) e exames com no máximo dois anos de intervalo para quem tem entre 50 e 69 anos.