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Brasília

Incêndio queima área de Cerrado da UnB

Arquivo Geral

03/08/2010 10h43

Na tarde desta segunda-feira, 2 de agosto, um foco de incêndio espalhou-se pelo cerrado ao lado do Centro Olímpico (CO) da UnB. A ação dos bombeiros controlou o fogo, mas não impediu a devastação de uma área de 40.641 metros quadrados. As primeiras testemunhas viram o foco do incêndio por volta de 12h30. A primeira ligação para os bombeiros foi às 13h15. O socorro chegou ao local uma hora depois.

 

 

Rafael Cunha, aluno do mestrado da Faculdade de Educação Física (FEF), que fica ao lado do CO, foi o primeiro a ligar para os bombeiros. No celular do estudante a ligação para o 193 registrava 13h15. “Na hora em que eu liguei tinha uma chama pequena e já dava para ver fumaça”, explica. “Na hora em que os bombeiros chegaram, o fogo já estava muito grande e a gente ouvia os estalos da queima das árvores”.

 

 

Segundo o Sargento Edson Marques, comandante da operação anti-incêncio, o primeiro chamado chegou ao Grupamento de Proteção Ambiental às 13h55. Às 14h20, quatro bombeiros começaram o combate ao fogo com abafadores e bombas de água portáteis. O grupo demorou cerca de uma hora para apagar tudo. A causa do incidente é desconhecida, mas Marques acredita que foi fruto de descuido. “Pelo que nós verificamos, começou na beira do lago e foi subindo”, explica. “Esse incêndio não tem características criminosas. Deve ter sido alguma bituca de cigarro ou alguma fogueira esquecida por algum pescador”.

 

 

“Não temos intenção de abrir um procedimento de investigação. Pode ter sido um acidente, mas é uma ocorrência relativamente comum nesta época do ano”, explica o prefeito do Campus, Paulo César Marques. “O que a gente pretende fazer é manter o terreno em condições adequadas e seguras. Não entendemos que a queimada de hoje é diferente das queimadas que acontecem em Brasília nessa época do ano”. Para Paulo César é importante que o trabalho preventivo seja co-responsabilidade da comunidade acadêmica e da população da cidade (vejas dicas de segurança contra incêndio no box abaixo).

 

 

PERDAS – Alexandre Rezende, diretor da FEF, afirma que incêndios nos cerrados próximos à universidade são comuns na época de seca. “É raro o ano em que a gente não tem incêndio nesse cerrado”, declara. Para o professor, a maior perda são os animais. “A vegetação pega fogo e volta. Algumas sementes até precisam do calor para romper”, relata.”Mas os animais acabam morrendo”. Alexandre conta que era comum encontrar preás e saruês na mata.

 

 

“Um incêndio dessa ordem é uma perda para a biodiversidade”, explica a professora Izabel Zaneti, coordenadora do Núcleo da Agenda Ambiental da UnB. “Além disso, o fogo tira oxigênio da atmosfera e deixa o ar mais poluído”.

 

 

A professora Mercedes Bustamante, especialistas em Cerrado, explica que o fogo é um fator natural desse bioma. “O que tem se observado é a queima mais frequente e isso contribui para a diminuição da qualidade do ar no entorno, no caso, a Unb”, explica. O efeito imediato, na hora da queimada, é a liberação de fumaça. Depois, as cinzas ficam distribuídas no ar, por causa do vento. “Isso causa aumento de partículas em suspensão e prejudica a qualidade do ar”. O ar pesado somado ao período de seca potencializa a ocorrência de problemas respiratórios.

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