Fábio Magalhães
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As causas do acidente na subestação de energia do Ministério do Esporte – que matou um técnico da CEB e deixou um ferido – estão sendo investigadas pela polícia. Os reparos e a substituição dos equipamentos já começaram. Estima-se que o prejuízo material chegue à casa de milhões de reais. Transformadores, protetores e cabos de energia tiveram perda total.
No local há cinco transformadores que recebem uma tensão de 13,8 mil volts, filtram a corrente elétrica e liberam cargas de 220/380 volts. “O limite de choque que o ser humano aguenta é variável. Pouquíssimos amperes – unidade que mede a intensidade da corrente elétrica – podem levar à morte. Porém, a princípio, esta não foi a causa”, indica o diretor de Operações da CEB, Manoel Clementino.
Ontem, do lado de fora do prédio do ministério, restos dos equipamentos estavam sendo amontoados para que 15 técnicos pudessem fazer as alterações e restituir o fornecimento de energia, interrompido desde o momento da explosão, por volta das 15h20 de quinta.
Manutenção
Na hora do acidente, das três linhas de alimentação de energia que passam por toda a Esplanada, duas funcionavam e uma passava por manutenção. Ao religar esta que estava desativada, Wilson de Pádua Pires, 54 anos, foi atingido pela explosão dos equipamentos e morreu pouco tempo depois. Wilson tinha 28 anos de empresa e se aposentaria em aproximadamente seis meses. Junto a ele, estava o colega José Pereira Santos, 53, que permanece em estado grave na UTI de um hospital particular.
Segundo Manoel Clementino, colocar duplas para trabalhar em determinados serviços é padrão justamente para prevenir acidentes. Neste caso, as causas da morte ainda são desconhecidas, embora se saiba que ele inalou muita fumaça e teve uma parada cardiorrespiratória. “O prejuízo material e a falta de energia são considerados neste momento problemas secundários. O maior prejuízo que tivemos foi a perda do nosso funcionário. Ele perdeu a vida trabalhando e de maneira trágica. Nós sentimos muito a perda neste momento”, reconhece o diretor.
Versão Oficial
O governador Agnelo Queiroz pediu empenho das autoridades para a rápida resolução dos trâmites para que apontem as causas da morte do funcionário da CEB. Ele também determinou que a CEB e os demais órgãos prestem total apoio às famílias dos dois trabalhadores. O governador em exercício, Tadeu Filipelli, foi ao sepultamento.
Questionada sobre a possível falha no sistema de combate a incêndio que evitaria a propagação do fogo, a assessoria do Ministério do Esporte afirmou que não se pronunciará sobre o assunto enquanto a pasta não for notificada formalmente, o que deverá acontecer quando os laudos das perícias ficarem prontos.
Emoção na despedida
Sob forte comoção de familiares e amigos, o técnico da CEB Wilson de Pádua foi enterrado no Cemitério do Gama. Amigo da vítima, o agente de operações da CEB Mario Bispo, 53 anos, afirma que Wilson era bastante experiente. Foi Mario quem fez o desligamento da rede para os trabalhos de manutenção. Em seguida, entregou o plantão para Wilson, que foi vitimado enquanto cumpria jornada extra. “Trabalhamos mais de 20 anos juntos e ele sempre foi um bom amigo. Ele estava cheio de planos. Os sonhos dele foram interrompidos”, lamenta.
De acordo com Bispo, que também trabalha há muitos anos na área e executa o mesmo serviço, a subestação do Ministério do Esporte já apresentou problemas outras vezes, mas de menor gravidade. “Eu já fui vitimado com o mesmo tipo de acidente, no mesmo local. O primeiro foi em 1990 e depois em 2001. Mas os equipamentos são de boa qualidade”, diz.
Segundo subsecretário de Operações da Defesa Civil, coronel Sérgio Bezerra, poucos minutos após o resgate dos feridos, foi feita uma inspeção no local. Ficou constatado preliminarmente que o sistema de combate a incêndio, que deveria automaticamente aplicar gás carbônico no ambiente para controlar incêndios, não funcionou. Porém, mesmo tendo passado pelas explosões, não há riscos estruturais. “Verificamos que o incêndio ficou centralizado nos transformadores, por isso o prédio pode funcionar”, assegura.