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Brasília

Impunidade favorece

Arquivo Geral

10/02/2013 10h30

Fábio Magalhães

fabio.magalhaes@jornaldebrasilia.com.br

 

Embora as fiscalizações sejam constantes, os furtos de energia elétrica e água acontecem com frequência em várias regiões do Distrito Federal e causam prejuízos astronômicos às concessionárias destes serviços e aos contribuintes, que também pagam caro pelos crimes. Somente no último ano, foram constatadas pela Companhia Energética de Brasília (CEB) 40 mil ligações clandestinas, que equivalem a um prejuízo estimado em R$ 120 milhões, ou 5% do faturamento da empresa. Já a Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), no último ano, localizou 1.741 irregularidades relacionadas ao abastecimento de água em todo o DF.

 

Na capital federal, predomina o furto de energia elétrica, principalmente nas áreas mais carentes como os setores habitacionais Sol Nascente e Por do Sol, em Ceilândia, São Sebastião, Itapoã e Brazlândia. Neste momento, segundo  a CEB, existem aproximadamente 18 mil ligações clandestinas e aproximadamente 2,5 mil clientes foram flagrados com irregularidades na medição de energia. 

 

“Interminável”


De acordo com o gerente de Medição e Fiscalização da CEB, Luiz Carlos Rusky, mesmo com o trabalho desenvolvido por 20 equipes compostas por duas pessoas, cada, o trabalho para acabar com as ligações irregulares é interminável. “Fizemos a retirada de 40 mil ligações no último ano, mas eles voltam a fazê-las. Deste total, efetivamente, conseguimos reduzir de quatro a cinco mil”, explica.

 

O grande problema das concessionárias não se restringe ao fato de haver ligações e, consequentemente, a perda de capital. Na realidade, por estar impedida de punir os cidadãos que insistem em furtar os serviços, os chamados “gatos” continuam a acontecer diariamente. “Como a maioria das pessoas que fazem os gatos não é cliente, a legislação não nos dá elementos para punir ou cobrar. Somente podemos aplicar penalidades aos nossos clientes. Chamar a polícia ou entrar na Justiça demanda muito tempo e precisaríamos de uma grande equipe de advogados”, argumenta o representante da companhia.

 

Riscos de acidentes

 

Um dos exemplos de que fazer “gatos” não compensa é o caso dos moradores do Setor de Chácaras Santa Luzia, localizado próximo à Vila Olímpica da Estrutural. Ali, a rede já não suporta mais a grande quantidade de gambiarras feitas pelos moradores. “Esses dias, caiu um dos cabos de alta tensão e um cachorro levou um choque. Vemos esta situação com medo, mas não temos o que fazer. Não posso pagar aluguel. Todos os dias os fios explodem”, conta a catadora Poliana Teixeira, 24 anos, que mora no local há três anos. 

 

Convivendo com o risco, ela diz como é feito o procedimento para que as ligações sejam refeitas em caso de danos: “Temos que ligar para a CEB e mentir, dizendo que pegou fogo ou que teve acidente, porque eles só podem arrumar se tivermos inscrição. Quando os técnicos chegam, não tiram os gatos. Ninguém vai viver no escuro com um poste na frente de casa”, diz.  O abastecimento de água também é ilegal, por meio de poços ou intervenções na rede.

 

Leia a reportagem completa na nossa edição digital.

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