Diante das gravações da sindicalista Marli Rodrigues, a oposição ao governador Rodrigo Rollemberg volta a falar em impeachment. Mas não é para valer, até porque os oposicionistas não têm 16 votos para afastar o governador. Alguns distritais acenam com o impeachment para aumentar o desgaste do governo, de olho em 2018. Mas, para outros distritais, é apenas um instrumento para pressionar o governo a ceder mais “espaço” a eles. Em outras palavras: mais toma lá dá cá.
Base gasosa desde o início
O governo nunca teve uma base firme na Câmara Legislativa. Seu apoio, desde os primeiros dias, é flutuante. Basta lembrar que Celina Leão, eleita pela coligação de quatro partidos que apoiou Rollemberg e feita presidente da Câmara pelo governador, é hoje a líder de verdade da oposição.
Se bem que, pelo jeito, o vice-governador Renato Santana quer disputar o posto com ela.
Imagem não precisa de provas
A oposição a Rollemberg, que na verdade inclui gente que está no governo, direta ou indiretamente, está apostando na deterioração de um forte capital político do governador: a imagem de honestidade.
Os oposicionistas desconfiam do que dizem o vice Santana e outros interlocutores de Marli Rodrigues, e sabem que não há provas de suas denúncias — pelo menos ainda.
Mas nada disso vem ao caso, para eles.
O que vale é a percepção da população, cada vez mais desconfiada de políticos e de governantes, e que tende a concordar com o clichê de que onde há fumaça há fogo. A percepção forma a imagem, e para isso não é preciso apresentar provas.
Todo deslize será explorado
Para reforçar a percepção dos brasilienses de que há corrupção no governo, os oposicionistas fazem alarde de situações corriqueiras. Como, por exemplo, uma empresa acusada de fraude ganhar uma licitação. Ou a necessidade de se fazer uma licitação emergencial.
A legislação prevê remédios para situações assim, que ocorrem em qualquer gestão. Mas é lógico que o menor passo em falso não vai deixar de ser explorado pelos oposicionistas.
É preciso estar atento e forte
Para enfrentar a ofensiva da oposição, não basta ao governo tentar impedir práticas corruptas. Tem de estar permanentemente atento a qualquer irregularidade e tomar providências imediatas à menor suspeita. Entre elas, abrir investigações internas e apoiar incondicionalmente os órgãos de controle.
Mas tem, também, de dar respostas rápidas, convincentes e estruturadas às acusações que lhes forem feitas. Desqualificar acusadores e exonerar quem denuncia só atrapalha.Não dá também para dizer que só vai se manifestar, ao serem divulgados fatos novos, quando tiver as gravações.
Até lá, já era.