O fato de a Paróquia São Pedro, localizada em Taguatinga Sul e comandada pelo padre Moacir Anastácio, ter sido citada na 28ª fase da Operação Lava Jato parece não afetado significativamente os fiéis. Ontem, no primeiro dia da Semana de Pentecostes, 12 mil pessoas, duas mil a menos do que no evento do ano passado, segundo a Polícia Militar, foram prestigiar a cerimônia. As investigações da Polícia Federal dão conta de que a igreja recebeu R$ 350 mil de empreiteiras.
Entre os que acreditam na inocência de Moacir Anastácio está a vendedora Zoraide Pereira Silva, 55 anos. Segundo ela, se houve “maldade em alguma doação, o padre não sabia”. Desde as 15h30 na paróquia, ela ressaltou que o público continua presente. “O padre não roubou dinheiro algum, ele apenas recebeu. Gosto muito dele do mesmo jeito. Tenho certeza que ele não agiu de má fé”, afirmou.
Com uma foto nas mãos, Zoraide foi ao primeiro dia de Pentecostes pedir pela irmã, que está com câncer no pâncreas e no fígado. “Sou muito católica. Estou orando pela saúde e pela cura dela”, completou.
A funcionária pública Francisca das Chagas, 58, compartilha da mesma opinião. Apesar de não estar ciente da acusação, garantiu que o padre não é culpado. “Temos fé e acreditamos na inocência dele. Nada atrapalhou o nosso carinho por ele. Vim pedir pela minha família e agradecer as bençãos”, concluiu.
A solenidade foi aberta ontem, às 16h, na Paróquia São Pedro. Durante as doações dos fiéis, o padre pediu: “Vamos ajudar. O dinheiro não é para mim, é para a igreja”. As programações continuam no local até a próxima quinta-feira. A partir de sexta, os seguidores passam a se reunir no Taguaparque até domingo, quando ocorre o encerramento.
A igreja é citada na Operação Lava Jato por ter recebido doações das construtoras OAS, Andrade Gutierrez e Via Engenharia. Em nota divulgada no mês passado, o padre Moacir afirmou que, em maio de 2014, a paróquia recebeu um depósito de R$ 350 mil da OAS. Em junho do mesmo ano, a Andrade Gutierrez repassou R$ 300 mil. A paróquia também confirmou a doação da Via Engenharia, mas não informou data nem valores.
“Sem contato com dirigentes”
O padre Moacir ressaltou, em nota, que os recursos foram doações para a Pentecostes e outras obras sociais e que não houve contato com os dirigentes das empresas.
“Por sermos uma instituição religiosa, que sobrevive basicamente de doações, jamais celebramos qualquer tipo de contrato de prestação de serviços com a construtora OAS ou com qualquer outra empresa”, completou o pároco. O Ministério Público Federal no Paraná informou que “não há indicativo de que a paróquia tenha participado do ilícito”.