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Brasília

Igreja que faz evento é citada na Lava Jato

Arquivo Geral

09/05/2016 6h45

JOSEMAR GONÇALVES

O fato de a Paróquia São Pedro, localizada em Taguatinga Sul e comandada pelo padre Moacir Anastácio, ter sido citada na 28ª fase da Operação Lava Jato parece não afetado  significativamente os fiéis. Ontem, no primeiro dia da Semana de Pentecostes,   12 mil pessoas, duas mil a menos do que no evento do ano passado, segundo a Polícia Militar, foram prestigiar a cerimônia. As investigações da Polícia Federal dão conta de que a igreja recebeu R$ 350 mil de empreiteiras. 

Entre os  que acreditam na inocência de Moacir Anastácio  está a vendedora Zoraide Pereira Silva, 55 anos. Segundo ela, se houve “maldade em alguma doação, o padre não sabia”. Desde as 15h30 na paróquia, ela ressaltou que o público continua presente. “O padre não roubou dinheiro algum, ele apenas recebeu. Gosto muito dele do mesmo jeito. Tenho certeza que ele não agiu de má fé”, afirmou. 

Com uma foto nas mãos, Zoraide foi ao primeiro dia de Pentecostes pedir pela irmã, que está com câncer no pâncreas e no fígado. “Sou muito católica. Estou  orando pela saúde e pela cura dela”, completou. 

A funcionária pública Francisca das Chagas, 58, compartilha da mesma opinião. Apesar de não estar ciente da acusação,   garantiu que o padre não é culpado. “Temos fé e acreditamos na inocência dele. Nada  atrapalhou o nosso carinho por ele. Vim pedir pela minha família e agradecer as bençãos”, concluiu. 

A solenidade foi aberta ontem, às 16h, na Paróquia São Pedro. Durante as doações  dos fiéis, o padre  pediu: “Vamos ajudar. O dinheiro não é para mim, é para a igreja”. As programações continuam  no local até a próxima quinta-feira. A partir de sexta, os seguidores passam a se reunir no Taguaparque até domingo, quando ocorre o   encerramento.

A igreja é citada na Operação Lava Jato por ter recebido doações das construtoras OAS, Andrade Gutierrez e Via Engenharia. Em nota divulgada no mês passado, o padre Moacir  afirmou  que, em maio de 2014, a paróquia recebeu um depósito de R$ 350 mil da OAS. Em junho do mesmo ano, a Andrade Gutierrez repassou R$ 300 mil. A paróquia também confirmou a doação da Via Engenharia, mas não informou data nem valores.

“Sem contato com dirigentes”

O padre Moacir   ressaltou, em nota, que os recursos foram doações para a Pentecostes e outras obras sociais e que não houve contato com os dirigentes das empresas.  

“Por sermos uma instituição religiosa, que sobrevive basicamente de doações, jamais celebramos qualquer tipo de contrato de prestação de serviços com a construtora OAS ou com qualquer outra empresa”, completou o pároco. O Ministério Público Federal no Paraná  informou que “não há indicativo de que a paróquia tenha participado do ilícito”.

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