Patrícia Fernandes
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Turbulência é a palavra de ordem no catolicismo. Após uma série de acontecimentos que abalaram a credibilidade e a confiança da instituição, a escolha do papa Francisco parece dar um novo fôlego e acende uma esperança para o fortalecimento da igreja. De sorriso largo e conhecido pela luta em defesa da vida, Francisco já ganhou o carinho de muitos brasilienses. Mas, além da empatia conquistada, o Papa precisará de muita força para transformar o atual cenário do catolicismo. Nos últimos dez anos, a Igreja Católica acumulou uma significativa perda de seguidores. De acordo com levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2000, 66,52% da população do DF se declarava católica. Já em 2010, esse número caiu para 56,16%.
De acordo com o padre Emerson Barros Cabral, coordenador do Setor de Comunicação da Arquidiocese de Brasília, a diminuição acentuada do número de fiéis também está diretamente ligada à participação dos jovens na igreja. “Nos últimos dez anos, é possível perceber uma queda elevada. A juventude tem uma oferta vasta de opções de entretenimento e tudo isso contribui para o afastamento”, explica. Segundo ele, o reflexo da perda de fiéis também pode ser visto no número de seminaristas. “Na minha época, a média de seminaristas era de 130 por seminário. Hoje, é de 70 a 80”, disse.
Opção
Luciano Almeida, 26 anos, é um desses. Ele dividia seu tempo entre os jogos de futebol e as atividades que fazem parte da vida de qualquer jovem, além disso, estava prestes a ingressar na faculdade de Biologia. Mas, de repente, tudo se transformou e seus anseios mudaram. Aos 21 anos de idade, ele reconheceu seu dom e decidiu mudar completamente sua trajetória. Ingressou em um seminário e há cinco se dedica à sua formação espiritual. “Foi uma decisão madura e consciente. Vivi muitas experiências e percebi que o sacerdócio me completava”, afirma o seminarista.
Para ele, as renúncias fazem parte do sacrifício: “As opções para a juventude são tentadoras. Mas a vida com Deus também tem muita alegria“. Ele conta que a vocação vai muito além de qualquer entendimento humano: “Vocação é um chamado de Deus”.