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Brasília

Idosos aprendem o bê-á-bá dos computadores

Arquivo Geral

20/10/2009 0h00

O mundo da informática era um terreno estranho para a professora aposentada Selva Pereira. Enquanto os filhos, netos e toda a família se comunicavam pela internet, ela se sentia isolada e excluída por não saber operar o temido computador. Tudo começou a mudar em setembro.


No seu aniversário de 75 anos, a professora foi presenteada pelo marido com um mini-computador portátil. Antes até de ligar o aparelho, Selva tomou uma decisão: “vou aprender o beabá.” Ela e mais 12 alunos, todos com mais de 60 anos, começaram nesta segunda-feira, 19 de outubro, o Curso básico da 3ª idade, promovido pela Escola de Informática da Universidade de Brasília.


“Sabemos que a capacidade de armazenar conteúdo se torna uma tarefa mais difícil, mas não é impossível. Já disse para meus netos que vou ter Orkut e blog”, brinca Selva. As aulas com noções de Windows, Word, Excel e Internet acontecem às segundas, quartas e sextas-feiras na sala 426 do ICC Centro. O curso tem duração de 40 horas e se estende até 4 de dezembro. “Aqui já deu até casamento”, comenta a professora de informática, Regina Avelino. Além do aprendizado, o curso estimula as relações interpessoais e vem superando as expectativas dos idosos.


A maioria dos alunos, ressalta Regina, decide participar pela vontade de se comunicar pela internet com os netos e parentes que moram fora. Ela diz que o curso usa uma metodologia específica, focada no aprendizado por repetição e com baixa carga horária diária. “Procuramos dar o máximo de atenção. Os alunos ficam à vontade, como se estivessem em casa. Aqui vão descobrindo afinidades e amizades. Tem até um grupo de amigos que sai toda a semana para jantar”, conta o coordenador da Escola de Informática, Nilton Almeida.


Conquistas

Na quinta turma de idosos deste ano não faltam exemplos de superação e força de vontade. A aposentada Adriana Valls, 60 anos, conta que acionou o motor de partida e resolveu dar uma reviravolta em sua vida. “Estou louca para aprender. É fundamental. Dá até vergonha dizer que não se domina a informática”, revela. Ela diz que não aguentava mais a sensação de analfabetismo. “A volta para a sala de aula é como se estivesse retornando para o primário”, compara. 


Adriana não vê a hora de compartilhar fotos, receitas, fazer compras, buscar endereços e informações pela rede de computadores. “Não tinha paciência porque perdi o embalo. Me aposentei bem na época da transição para a era da informática”, lembrou.

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