Eric Zambon
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A espera por uma cirurgia no fêmur está drenando a vida de dona Eunice Luiza dos Santos, aposentada de 85 anos. Ela foi internada no Setor de Trauma e Ortopedia do Hospital de Base de Brasília há 13 dias e, desde então, seu quadro se agravou, com vômitos de sangue ao tentar se alimentar e enfraquecimento gradativo. Sua filha, a servidora pública federal Ana Maria dos Santos Silva, 30 anos, assiste a tudo, impotente.
“Ela é idosa e tem Alzheimer, mas sempre foi saudável. Infelizmente caiu em casa e quebrou a perna. De tanto tempo acamada e sem socorro, já teve três episódios de hematêmese, que é vômito com muito sangue”, relata Ana Maria. Além de acusar o hospital de descaso, ela critica a falta de pessoal. “Nunca tive treinamento para trocar uma fralda de idoso na vida, mas estou tendo que me virar. Acabo ajudando outros pacientes também”, desabafa.
A primeira data para fazer a cirurgia no fêmur da idosa foi a última sexta-feira. De acordo com a Secretaria de Saúde, o procedimento foi adiado pois o anestesista entrou com atestado médico. A nova data é 30 de agosto, na próxima quarta-feira, mas essa informação não chegou à família da paciente. “Continuamos no leito sem qualquer assistência ou informações. E ela está há 48 horas de jejum”, denuncia a filha.
De acordo com a mulher, sua mãe não come desde a última quinta devido aos episódios de vômito com sangue. Ela ainda teve de fazer jejum para uma endoscopia, cujo resultado ainda não saiu, e precisará ficar mais 12 horas sem comida para a possível cirurgia de quarta. “A minha mãe é pioneira de Brasília. Sempre trabalhou pro GDF como professora e pedagoga. Estou vendo ela morrer na minha frente e está sendo muito triste. Tudo apenas por uma perna quebrada”, desespera-se.
A Secretaria ainda esclareceu que existe uma fila de espera grande para cirurgias urgentes e emergenciais. “São realizados, aproximadamente, 350 cirurgias eletivas por mês, além de 340 procedimentos de emergência”, informa a pasta.