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Brasília

HUB sem tratamento contra o tabagismo

Arquivo Geral

19/06/2009 0h00

Impasse entre a diretoria do Hospital Universitário de Brasília (HUB) e a coordenação do programa de combate ao tabagismo na unidade interrompeu o atendimento aos pacientes que buscam largar o vício do cigarro. O problema, discount que dura cerca de um mês, gira em torno da administração dos medicamentos. Nova política do hospital determina que os remédios, antes sob responsabilidade do ambulatório, passem a ser gerenciados pela farmácia. Médicos pararam de atender em protesto à medida.

Criado há 10 anos, o Ambulatório de Cessação de Tabagismo do HUB recebe 20 pessoas por mês. Nas reuniões semanais, os pacientes compartilham anseios, recebem orientação especializada e remédios de médicos e assistentes sociais. Essa foi a rotina durante a última década. “Existem portarias do Ministério da Saúde que asseguram aos profissionais credenciados na Secretaria de Saúde do DF a administração dos remédios”, observou a assistente social do HUB Luciana Santos.

No entanto, há cerca de um ano, a diretoria do HUB busca implantar nova política de gestão dos medicamentos. No modelo, todo remédio que entra no hospital fica sob a responsabilidade dos farmacêuticos. “É uma norma interna, com base em orientação do Ministério da Saúde para unidades que contam com farmácias. O impasse está resolvido e assim vamos fazer”, afirmou o diretor do HUB, Gustavo Romero. “Em postos de saúde, os médicos administram os remédios por falta de farmacêuticos. Não é o nosso caso”, completou.

A decisão não agradou os responsáveis pelo tratamento, que decidiram parar as atividades até que a situação seja definitivamente resolvida. O pneumologista e fundador do ambulatório, Carlos Viegas, argumenta as peculiaridades do tratamento para requerer a administração dos remédios. “É um acompanhamento direto, entre médico e paciente. Se entregue pela farmácia, teremos casos de pessoas que pegam a medicação e abandonam o grupo, causando prejuízo aos cofres públicos”, explicou.

O coordenador do Programa de Controle do Câncer e Tabagismo da Secretaria de Saúde DF, Celso Rodrigues, afirmou que, em casos como esse, prevalece a política interna do HUB. “Apesar do respaldo aos profissionais credenciados, uma vez que os remédios entram no hospital, cabe à direção a responsabilidade sobre a melhor forma de administrá-los”, afirmou. Segundo Gustavo Romero, o atendimento deve voltar dentro de duas semanas, mesmo que seja necessário colocar uma nova equipe à frente dos trabalhos.   

Doença grave
Existem cerca de 310 mil viciados em tabaco no DF, 15,4% da população, segundo dados da Secretaria de Saúde. Considerada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) uma doença crônica e a principal causa de mortes evitáveis, o tabagismo tira oito vidas por dia na capital do país. “O cigarro contém 4.720 elementos tóxicos. Entre eles, 54 causadores de câncer que provocam mutações nas células. É um problema de saúde pública com tratamento gratuito”, observou Celso Rodrigues, da Secretaria de Saúde.

No DF, existem cerca de 3 mil pessoas na fila de espera por atendimento em um dos 33 grupos de combate ao tabagismo da rede pública. Para o médico Carlos Viegas, que mesmo aposentado deu continuidade ao trabalho no HUB, o importante é que os pacientes não fiquem sem o tratamento. “Problemas como o que está ocorrendo só comprometem um trabalho que vem dando certo: pelo menos 50% dos pacientes que passaram por lá conseguiram largar o vício”, observou o especialista.

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