O Hospital Universitário de Brasília abre as portas para a comunidade com o que há de mais moderno para o tratamento de câncer na rede SUS. Nesta quinta-feira, 20 de agosto, o HUB inaugura o Centro de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon). Além dos tratamentos comuns como quimioterapia, o centro começa a oferecer a braquiterapia de alta taxa de dose. Um tipo de radioterapia utilizada para tratamentos de tumores, como os ginecológicos. Será o primeiro local com esse tratamento, 100% SUS, em Brasília.
A empregada doméstica Usinei Oliveira, 46 anos, foi uma das pacientes que receberam atendimento nesta quarta-feira, 19 de agosto. Como não havia ainda esse tratamento no Distrito Federal, Usinei estava sendo encaminhada pelo SUS para São Paulo. Ela passou por uma cirurgia e radioterapia no ultimo ano e precisava da braquiterapia para finalizar seu tratamento. “Vou fazer quatro sessões aqui. O atendimento foi maravilhoso. Hoje foi meu primeiro dia e já me indicaram uma psicóloga e uma assistente social”, afirma.
O prédio do Cacon vai centralizar o atendimento para os pacientes com câncer. Segundo o diretor do centro, João Nunes, agora o HUB tem, além do atendimento clínico e cirúrgico, o radioterápico. “Já atendemos 545 pacientes com a doença por ano e, com este centro, vamos fazer o tratamento completo. Também criamos um núcleo de pesquisa para novas descobertas em oncologia”, explica.
Equipamentos
O prédio disponibiliza os equipamentos de ponta, paredes blindadas para que a radiação não extravase as salas de tratamento e uma equipe de especialistas, radioterapeutas e físicos médicos. “Queremos ser um Cacon de referência. Além do atendimento, vamos formar recursos humanos na área de oncologia. Uma pós para esses profissionais já deve começar no ano que vem e, em 2011, queremos oferecer também física médica e radioterapia. Vamos qualificar pessoas para todo o Brasil”, diz João Nunes, chefe do centro.
Alguns serviços já estão sendo disponibilizados pelo centro, como a quimioterapia e a braquiterapia. No entanto, a teleterapia, mais conhecida como radioterapia externa, deve ser oferecida apenas daqui a dois meses. O tratamento utiliza uma fonte externa de radiação com aceleradores lineares que conseguem tratar desde tumores profundos, pulmão, até os superficiais, câncer de pele.
De acordo com o físico-médico Samuel Avelino do HUB, essa máquina, em conjunto com um sistema de computador tridimensional, representa um avanço na radioterapia pública do Distrito Federal. “É um equipamento que simula o tratamento em um software e controla as doses de radiação que os tecidos sadios adjacentes ao tumor receberão. Representa um tratamento com menos efeitos colaterais e com maior garantia de sucesso”, explica.
Para o doutor Wenzel Castro, radioterapeuta do centro, antes mesmo de tanta tecnologia é importante a prevenção contra a doença. As pessoas devem fazer os exames preventivos no mínimo de seis em seis meses e no máximo a cada ano. Devem ficar atentos ao câncer de colo de útero, mama e prostata.