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Brasília

HRAN terá serviço multidisciplinar para lábios leporinos

Arquivo Geral

18/03/2013 8h34

Isa Stacciarini

isa.coelho@jornaldebrasilia.com.br

 

O Hospital Regional da Asa Norte (Hran) é o único hospital do Distrito Federal que oferece, há cerca de 25 anos, tratamento e cirurgia para pacientes com fissuras labiopalatais, conhecidos popularmente como lábios leporinos. Agora, ele foi contemplado com a criação de um serviço multidisciplinar de tratamento da patologia, que promete acompanhar a criança diagnosticada com a doença desde o pós-parto.

 

Anualmente, cerca de 200 crianças nascem com o problema no DF, e a equipe especializada do Hran sempre tratou a condição sem uma direção específica. A situação promete mudar após decisão publicada no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF), na última segunda-feira, que designou uma equipe formada pelas mais diversas áreas da medicina, incluindo pediatria, nutrição e fonoaudiologia.

 

Operações

No ano passado, 200 pessoas entre crianças e adultos foram operadas pelos especialistas de Brasília para a correção do problema, e cerca de 1,5 mil consultas foram realizadas de janeiro a dezembro de 2012.

 

No entanto, por falta de hospital especializado, cerca de 415 famílias se deslocam anualmente para outras unidades federativas com o objetivo de realizar o Tratamento Fora de Domicílio (TFD) dos parentes diagnosticados com lábio leporino.

 

A causa da fissura labiopalatal se deve à ausência de fechamento da região do lábio ou palato durante a fase embrional que acontece até os três meses de gestação.

 

Multidisciplinar

Segundo o cirurgião plástico da Secretaria de Saúde que integra a equipe especializada do tratamento da patologia, Alexandre Figueiredo, a criação de um serviço específico vai permitir um acompanhamento multidisciplinar do paciente. “A criança será acompanhada por pediatras, nutricionistas e otorrinos que acompanharão seu crescimento e desenvolvimento até ela adquirir peso e tamanho suficiente para a cirurgia”, aponta.

 

Para a dona de casa Vaneide Rodrigues Moreira, o novo serviço veio em boa hora. Diagnosticado com lábio leporino aos três meses, seu filho é um dos pacientes do Hran. “Quando fiquei sabendo do novo acompanhamento, me senti mais segura. Agora, sei que meu filho terá tratamento completo”, destaca Vaneide.

 

A correção do lábio só pode ser realizada a partir dos três meses de vida e a partir de um peso compatível a cinco quilos. Já a cirurgia do palato – céu da boca – é efetuada a partir de um ano.

 

Acompanhamento único

No Brasil, quatro mil crianças nascem anualmente com o diagnóstico de lábios leporinos. O cirurgião plástico da SES-DF Marconi Delmiro irá coordenar o serviço multidisciplinar e explica que, dependendo do grau das fissuras labiopalatais, são necessárias cinco cirurgias ao longo da vida.

 

“As cirurgias começam na infância e acabam na faixa etária de jovem adulto”, aponta Delmiro.

 

Para o cirurgião plástico Alexandre Figueiredo, a criação de uma equipe direcionada para o tratamento dos pacientes permite inclusive um acompanhamento do desenvolvimento da patologia.

 

“Os médicos poderão analisar as demais doenças associadas à fissura labiopalatal, como desnutrição, bronquite e otite. Nesses casos, a incidência de infecções respiratórias é mais comum”, esclarece.

 

Agradecimento

Ele ressalta ainda o empenho do médico diretor do hospital, Paulo Ramos Feitosa; do médico vice-diretor Valdir Nunes; e do médico Luciano Gazzoni; que foram determinantes na criação do serviço específico. “Eles souberam ser sensíveis ao apelo da sociedade”, destaca.

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