Isa Stacciarini
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Em um cenário nacional no qual quatro mil crianças nascem anualmente com o diagnóstico de fissura labiopalatal, conhecida como lábio leporino, o Distrito Federal possui um único hospital da rede pública especializado na cirurgia para a correção da patologia. Uma equipe do Hospital Regional da Asa Norte (Hran), composta por três cirurgiões plásticos, psicólogos e fonoaudiólogos, trata os pacientes da capital. No Brasil, uma a cada seis crianças nasce com a anomalia.
Semanalmente, a equipe médica do Hran faz em torno de 30 atendimentos de pessoas com a patologia. De janeiro até novembro, 180 pacientes foram operados da doença. A causa da fissura labiopalatal se deve à ausência de fechamento da região do lábio ou palato durante a fase embrional que acontece até os três meses de gestação. O diagnóstico pode ser feito ainda no período de gravidez, pelo exame de ecografia, durante a fase de desenvolvimento uterino, a partir dos seis meses. O ator porto-riquenho que interpretou um imperador romano no filme O Gladiador, Joaquin Phoenix, possui uma cicatriz nos lábios em virtude da cirurgia para a correção da fissura labiopalatal com que nasceu.
Formação
Segundo o cirurgião plástico da Secretaria de Saúde que integra a equipe especializada do tratamento da patologia, Alexandre Figueiredo, no momento do desenvolvimento do embrião ocorre a ausência da formação completa da boca. “Todos os elementos de formação existem, mas ela é parcial. Não há o desenvolvimento completo”, aponta.
As fissuras labiais podem ser operadas até os seis meses de idade, e as fissuras palatinas (no céu da boca) acontecem até dois anos do paciente. No entanto o especialista destaca que é necessário um período de intervalo entre cada operação para que não haja o comprometimento no desenvolvimento da estrutura óssea, uma vez que a parte ortodôntica sofre modificações devido à abertura existente e, por isso, há momentos para cada cirurgia.