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Brasília

HRAN atende crianças com lábios leporinos

Arquivo Geral

04/12/2012 7h22

Isa Stacciarini

isa.coelho@jornaldebrasilia.com.br

 

Em um cenário nacional no qual quatro mil crianças nascem anualmente com o diagnóstico de fissura labiopalatal, conhecida como lábio leporino, o Distrito Federal possui um único hospital da rede pública   especializado na   cirurgia  para a correção da patologia. Uma equipe do Hospital Regional da Asa Norte (Hran), composta por três cirurgiões plásticos, psicólogos e fonoaudiólogos, trata os   pacientes da capital. No Brasil, uma a cada seis crianças nasce com a anomalia.

 

Semanalmente, a equipe médica do Hran faz em torno de 30 atendimentos de pessoas com a patologia. De janeiro até novembro, 180 pacientes foram operados da doença. A causa da fissura labiopalatal se deve à ausência de fechamento da região do lábio ou palato durante a fase embrional que acontece até  os três meses de gestação. O diagnóstico pode ser feito ainda no período de gravidez, pelo exame de ecografia, durante a fase de desenvolvimento uterino,  a partir dos seis meses. O ator porto-riquenho que interpretou um imperador romano no filme O Gladiador, Joaquin Phoenix, possui uma cicatriz nos lábios em virtude da cirurgia para a correção da fissura labiopalatal com que nasceu.

 

Formação

Segundo o cirurgião plástico da Secretaria de Saúde  que integra a equipe especializada do tratamento da patologia, Alexandre Figueiredo, no momento do desenvolvimento do embrião ocorre a ausência da formação completa da boca. “Todos os elementos de formação existem, mas ela é parcial. Não há o desenvolvimento completo”, aponta. 

 

As fissuras labiais podem ser operadas até os seis meses de idade, e as fissuras palatinas (no céu da boca) acontecem até dois anos do paciente. No entanto o especialista destaca que é necessário um período de intervalo entre cada operação para que não haja o comprometimento no desenvolvimento da estrutura óssea, uma vez que a parte ortodôntica sofre modificações devido à abertura existente e, por isso, há momentos para cada cirurgia. 

 
Cada caso é avaliado
O médico Alexandre Figueiredo ressalta que existem vários métodos para a  cirurgia, por isso, cada caso é avaliado. Na fase adulta, o paciente pode apenas ser submetido a cinco sessões de operação. “Tudo precisa ser bem analisado, pois o excesso de tração da tensão na musculatura do lábio pode provocar alterações no desenvolvimento da face”, aponta.
 
Para pacientes que se submetem à cirurgia, o tempo para recuperação é de até seis meses. Contudo, cada etapa do pós-operatório  avança  à medida que a cicatrização ocorre. “A alimentação logo depois do pós-operatório tem de se feita com comida triturada no liquidificador e coada na peneira, pois não se pode fazer uso de alimentos endurecidos, para que não haja a abetura dos pontos da cirurgia”, diz.
 
O médico destaca que no Brasil falta informação sobre fissura labiopalatal, e por isso os pais precisam estar atentos ao desenvolvimento da criança, uma vez que o paciente pode sofrer preconceitos e discriminação. “É necessário que a família receba orientações desde o nascimento da criança por especialistas como pediatras, nutricionistas, fonoaudiólogos e otorrinos”.
 

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