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Brasília

Hospital de Samambaia registra segunda morte de gestante em menos de uma semana 

Familiares denunciam negligência médica

Luiza Melo

15/07/2026 16h00

hospital regional de samambaia. foto jhonantan cantarelle agencia saude df scaled

Foto: Agência Saúde/Divulgação

Uma mulher de 25 anos morreu, nesta segunda-feira (14), ao dar à luz no Hospital Regional de Samambaia. É o segundo caso registrado na unidade de saúde em três dias. Familiares apontaram falha e negligência no atendimento à gestante. A vítima teria solicitado uma cesariana, mas foi submetida ao parto normal, o que, segundo a família, contribuiu para que ela viesse à óbito.

Maria Aparecida Galdino dos Santos deu entrada na unidade hospitalar na noite de domingo (12) com fortes dores. A bebê nasceu apenas no dia seguinte, por volta das 14h. Após o nascimento da criança, Maria Aparecida começou a ter um sangramento, que evoluiu para uma hemorragia. 

De acordo com familiares, a equipe informou que ela precisou passar por dois procedimentos, conhecidos como raspagem, para retirada da placenta que havia ficado dentro do corpo da paciente após o parto. Devido à hemorragia, foi necessário uma intervenção cirúrgica para retirada do útero. Todo processo durou até às 20h, quando a família foi comunicada que Maria Aparecida não teria resistido e veio à óbito. 

Este é o segundo caso registrado em menos de uma semana na unidade hospitalar. Na última sexta-feira (10), Maria Graciana Andrade Alves também veio à óbito durante o trabalho de parto. Ela deu entrada no hospital um dia antes, após completar 41 semanas de gestação. 

De acordo com a família, a equipe médica foi informada pela paciente que não tinha condições de passar pelo parto normal, mas a tentativa do procedimento foi mantida por horas. A cirurgia cesárea só foi realizada após o bebê apresentar sinais de sofrimento fetal.

A mulher teve uma hemorragia grave e teve que passar por uma cirurgia de retirada do útero. Durante o procedimento, ela sofreu paradas cardiorrespiratórias, morrendo horas depois, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital.

Em nota, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) informou que determinou a imediata apuração das circunstâncias envolvendo os óbitos das duas gestantes. De acordo com a pasta, as ocorrências exigem uma investigação rigorosa e célere para apurar a existência de eventuais falhas no procedimento de assistência.

“A Secretaria não é conivente com quaisquer falhas. Se forem constatadas responsabilidades, todos os envolvidos serão rigorosamente responsabilizados, com a adoção imediata das medidas administrativas, disciplinares e legais cabíveis. A apuração é conduzida com absoluta prioridade e rigor”, diz o comunicado. A Secretaria ainda informou que somente se manifestará sobre as circunstâncias do atendimento após a conclusão da investigação, em respeito aos fatos e ao devido processo.

O Ministério da Saúde comunicou que está em contato com a Secretaria de Saúde do Distrito Federal para acompanhar a apuração do caso e apoiar na análise técnica. Em nota, a pasta esclareceu que a realização das consultas pré-natal são fundamentais para o acompanhamento e a prevenção de situações de gravidade durante a gestação, parto e puerpério. 

“A nova Caderneta da Gestante orienta a elaboração do Plano de Parto, tanto pelo profissional quanto pelas gestantes, para que a mãe registre suas preferências para o momento do parto e nascimento: presença de acompanhante, métodos de alívio da dor e outros cuidados desejados”, diz.

Denúncias

Denúncias relacionadas à falhas no atendimento de gestantes e bebês são comuns na unidade. Nos últimos quatro anos, ao menos quatro famílias denunciaram negligência médica em atendimentos à gestantes e bebês. Em 2024, um bebê morreu após a mãe aguardar um atendimento e ficar 30 horas em trabalho de parto. No mesmo ano, uma gestante de 30 anos morreu após procurar atendimento médico em diferentes hospitais do DF, incluindo o de Samambaia.

Em 2023, uma mulher de 19 anos perdeu o bebê e teve que aguardar quatro dias internada, com o filho morto na barriga, até conseguir realizar um procedimento para induzir o parto. No ano anterior, uma gestante de 37 anos e sua filha morreram durante o parto no hospital. De acordo com relatos de pacientes no local, a mulher chegou a vomitar e urinar sangue na unidade.

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