Os 46 hospitais universitários federais funcionam com déficit de 5.443 mil trabalhadores. Diagnóstico elaborado pelo Ministério da Educação e apresentado aos reitores na manhã de terça-feira, viagra buy 19 de maio, apontou que a falta de pessoal pode levar ao fechamento de leitos nas unidades. Por dívidas e dificuldade em repor quadros, 1.124 leitos foram desativados nos últimos dez anos. O equivalente a mais de três unidades de saúde do tamanho do Hospital Regional da Asa Norte (Hran).
O diagnóstico feito pelo MEC lançará as bases para o Programa Nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais e Residenciais em Saúde, Rehuf. A contratação de pessoal deverá começar ainda este ano. O MEC negocia com o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão o ingresso de 5,4 mil funcionários em regime temporário. “Isso é emergencial para manter as unidades funcionando e para superar as aposentadorias previstas até o fim de 2009”, afirmou o diretor de Hospitais Universitários do MEC, José Rubens Rebelatto.
De acordo com Rebelatto, o diagnóstico completo será fechado até o fim da semana. Ele adianta que, além do déficit de pessoal, o documento mostrará os problemas de infraestrutura e a dívida das unidades, atualmente estimada em R$ 250 milhões pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes).
DÍVIDAS – Antes do levantamento, a dívida calculada estava em torno de R$ 500 milhões. Contudo, cerca de metade dela já foi negociada. Para Rebelatto, o saldo devedor de R$ 250 milhões não impedirá o funcionamento dos hospitais. “Essa dimensão não é algo preocupante, que colocaria o sistema em risco”, ameniza.
A crise de recursos e de pessoal nos hospitais universitários estende-se por décadas. O programa nacional de recuperação é a primeira política específica para a área. Os reitores esperam que o programa seja uma solução para antigos problemas de pessoal e de financiamento.
No entanto, as diretrizes ainda estão incipientes. As contratações previstas, por exemplo, atenderão apenas a necessidades emergenciais. Para a volta do funcionamento dos mais de mil leitos desativados seria necessário outras duas mil contratações, conforme avalia o presidente da Comissão de Hospitais Universitários da Andifes e reitor da Universidade Federal do Maranhão, Natalino Salgado Filho.
Em muitos hospitais universitários, os funcionários estão sobrecarregados porque trabalham com um número de pacientes maior que o ideal. “Em alguns hospitais as enfermeiras atendem cinco leitos em vez de três, que é o número adequado”, revela. Segundo Salgado Filho, o número de funcionários terceirizados nas unidades chega a 16 mil.
FINANCIAMENTO – Sem esses trabalhadores os hospitais não funcionariam. Contudo, as contratações dos terceirizados são irregulares e pagas indevidamente com recursos do Sistema Único de Saúde. “Isso penaliza a nossa infraestrutura e a qualidade do atendimento”, afirmou o reitor da UFMA.
O financiamento dos hospitais universitários é uma das maiores preocupações dos reitores. O custo de um hospital-escola, que oferece ensino e assistência ao mesmo tempo, é cerca de 40% maior que uma unidade de saúde tradicional. Os valores pagos pelo SUS para o atendimento da população não correspondem às necessidades dos HUs. “A tabela do SUS não consegue financiar”, disse Salgado Filho.
A expectativa do MEC, responsável por 70% do financiamento dos hospitais, é que o Ministério da Saúde ofereça maior contrapartida. O assunto será levado pelos reitores em um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 28 de maio.