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Brasília

Hospitais sobrecarregados quando 70% dos atendimentos poderiam ser feitos em ambulatórios

Arquivo Geral

13/03/2009 0h00

Uma forte dor de cabeça fez com que a doméstica Maria Moreira Belém, online 58 anos, side effects fosse direto para Pronto Socorro do Hospital Regional do Gama (HRG). “Minha cabeça parece que vai explodir”, order contou ela, encostada no marido, o pedreiro Lourival Moreira
Alves, 59 anos. Ela mora no Lago Azul, bairro do Novo Gama (GO), e não se arriscou a buscar atendimento no centro de saúde do município. “Lá não adianta. Aqui a gente espera muito tempo, mas pelo menos é atendido”, diz Lourival.


Assim como Maria, centenas de pessoas não procuram mais os postos de saúde dos municípios da Região do Entorno e do Distrito Federal. Elas vão direto para os prontos-socorros e se misturam aos pacientes mais graves, como, por exemplo, vítimas de acidentes de trânsito, crimes graves ou de infartos.


Dos 2,3 milhões de atendimentos anuais na rede hospitalar do DF, 70% são ambulatoriais. Ou seja, cerca de 1,6 milhão de pessoas procuraram os hospitais para buscar tratamento para gripe, dor de garganta e cólicas, entre outros procedimentos básicos. Esse é um dos fatores que contribuem para a superlotação dos hospitais do DF e consequentemente da qualidade dos serviços de saúde oferecida à população.


O secretário de Saúde do DF, Augusto Carvalho, assinala que o crescimento desordenado do DF e do Entorno foram negativos para a saúde pública. Brasília, ressalta, foi projetada para ter 500 mil de habitantes até o ano de 2000, mas nove anos depois a população é de 2,5 milhões – cinco vezes mais que o planejado. Some-se a esse contingente, a população do Entorno, especialmente de municípios goianos, como Águas Lindas, Luziânia, Valparaíso e Novo Gama. A região também teve aumento populacional expressivo, embora seja carente de infra-estrutura básica.


Isso faz com que os moradores dessas regiões busquem atendimento hospitalar no DF. “Não dá para pensar apenas em 2,5 milhões  de pessoas. Temos que pensar em atender pelo menos 3 milhões, porque, no mínimo, 500 milhões vêm de fora para cá”, ressalta o secretário. Mesmo com a percepção de que a população estava crescendo, nenhum governo se preocupou em ampliar a rede pública de saúde com a construção de mais hospitais e centros de saúde.


A estrutura física da maioria das unidades hospitalares também não foi modificada com o passar dos anos. Hoje, existem 11 hospitais públicos no DF: três no Plano Piloto e os demais em Ceilândia, Taguatinga, Gama, Brazlândia, Samambaia, Planaltina, Sobradinho e Paranoá.


A burocracia imposta pela legislação para compra de medicação e equipamentos também prejudica os serviços. A aquisição de materiais é feita, na maioria das vezes, por meio de licitações. Elas demoram no mínimo três meses para ser concluídas. Segundo o secretário- adjunto de Saúde, Florêncio Cavalcanti, os remédios e equipamentos encomendados com antecedência, mas, às vezes, surgem problemas quando o processo já está em andamento, o que atrasa a entrega. “Às vezes, o Tribunal de Contas questiona alguma coisa ou uma empresa que perdeu a licitação resolve entrar na Justiça.”


Lista de medicamentos


A dona de casa Vera Lúcia da Silva, 49 anos, bateu na porta da Secretaria de Saúde, no anexo do Palácio do Buriti, na última
segunda-feira, bater na porta da Secretaria de Saúde, para exigir uma lista de medicamentos para a memória, depressão,  diabete e  anti-inflamatórios, entre outros. Os remédios são para ela e para o ex-marido, que tem problemas respiratórios e precisa usar medicamento não padronizado.


Mesmo com a determinação judicial em mãos, Vera Lúcia não conseguiu retirar, naquele dia, os remédios na Farmácia de Ações, localizada no Setor de Indústrias e Abastecimento (SIA). “Eles falaram que não tinha fundos para comprar os meus remédios, mas cada dia que passa a minha situação tem piorado. É um direito que a Justiça me deu, mas o governo tem me negado”, reclamou.


Ainda pela manhã, Vera Lúcia conseguiu falar com o secretário-adjunto de Saúde, que prometeu resolver o problema dela, sem precisar fazer licitação para comprar os remédios. “Vamos comprar com o suplemento de fundo.” No dia seguinte, ela recebeu todos os medicamentos e ainda ganhou uma bengala cor-de-rosa, que havia pedido para ajudá-la a andar.


Cavalcanti mandou apurar por que Vera não recebeu a medicação não-padronizada, uma vez que tinha  eterminação judicial. Ele explica na maioria das vezes entrega não ocorre porque um medicamento é fabricado por um  laboratório específico, que não tem certificado de boa conduta expedido pelo Ministério da Saúde.

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