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Brasília

Homicídios cometidos por situações banais são resultado da impunidade

Arquivo Geral

21/01/2013 9h10

Isa Stacciarini

isa.coelho@jornaldebrasilia.com.br

 

 

A criminalidade vem dando fim a vidas de forma trágica e muitas vezes banal. Levantamento da Secretaria de Segurança Pública (SSP) estima que apenas do dia 1º deste ano até a última sexta-feira,  27 pessoas morreram no Distrito Federal  vítimas de criminosos. No entanto, a imprensa local calcula 32 mortes até a noite de sábado. Os números superam a margem de um homicídio por dia. Diante de uma realidade cada vez mais violenta, uma pergunta vem à tona: quanto vale uma vida?

 

Em muitos dos crimes, os motivos  se referem a situações de banalidade, como desentendimentos, reclamações e roubos por pouco dinheiro. Em apenas uma semana,  dois casos no Distrito Federal e na Região Metropolitana do DF chocaram os brasilienses.  O comerciante Josafá Pereira da Silva, 46 anos,   morreu por ter cobrado R$ 2,99 de clientes que deixaram comida no prato, em seu restaurante. Já a empresária Cleonice Marinho de Araújo, 44 anos,   perdeu a vida em razão de quatro pneus.

 

O professor e pesquisador de segurança pública da Universidade Católica de Brasília (UCB) Nelson Gonçalves aponta que a razão para o aumento  dos crimes banais se refere às leis que não levam os indivíduos a terem certeza de que serão punidos. “A partir do momento em que se tem a convicção de que nada acontecerá, devido a um conjunto de leis que proporcionam uma série de medidas permissivas, na cabeça dos meliantes, tudo começa a ser possível”, aponta.

 

Impunidade

Segundo Gonçalves, nessa perspectiva, matar o outro passa a ser algo trivial. Ele conta que o responsável por um homicídio, que tenha cometido o crime pela primeira vez, tem chance de responder  em liberdade. “O primeiro homicídio de um indivíduo vira cortesia do Estado, porque os artifícios legais que o autor tem para se safar são maiores do que a lei para mantê-lo preso”.

 

Para o professor, uma das formas de diminuir este quadro  seriam leis  mais restritivas, que eliminassem subterfúgios que os autores dos crimes pudessem protelar a prisão.

 

“O acusado teria que ter certeza do cumprimento da pena em sua totalidade. A sociedade está refém das suas próprias maneiras de enxergar o mundo”, destaca Nelson Gonçalves.

 

Retrato da sociedade

O secretário-adjunto da Secretaria de Segurança Pública do DF (SSP-DF), coronel Jooziel Freire, avalia que os crimes banais representam um retrato de uma sociedade que se apresenta cada vez mais violenta. Segundo ele, cultivar o pensamento de que a sociedade é um produto de pertencimento próprio contribui na propagação da violência. 

 

“Existem variadas formas de violência e a sociedade atual mata tão somente por matar. É uma banalização da vida e das coisas que estão tendo mais valor do que as pessoas”, ressalta.

 

O coronel aponta que os indivíduos que cometem crimes estão, muitos casos, afetados pelo vício do consumo de drogas. Segundo o secretário-adjunto, a pasta está com um projeto para  trabalhar em parceria com a Secretaria de Educação (SEDF), promovendo palestras nas escolas da rede pública do Distrito Federal.

 

“A intenção é fazer um trabalho para uma grande quantidade de público, como pais, alunos e professores. O objetivo é conscientizar que a vida é mais importante do que qualquer coisa”, destaca. O projeto deve ter início neste ano.

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