Jonathan Alves Ramos, de 33 anos, foi preso em flagrante no sábado (20) após filmar seis mulheres dentro do banheiro de um restaurante na Asa Norte, em Brasília. A prisão ocorreu depois que uma das vítimas percebeu a silhueta de um homem na cabine ao lado e viu um celular apontado na sua direção. Ela gritou por socorro, e o namorado conteve o suspeito até a chegada da Polícia Militar. O aparelho foi apreendido e passará por perícia, contendo vídeos de pelo menos seis mulheres, todos registrados na noite do sábado. A Polícia Civil ainda trabalha para identificar as vítimas.
Na manhã desta segunda-feira (22), Jonathan Alves Ramos passou por audiência de custódia no Núcleo de Audiências de Custódia (NAC). O juiz substituto converteu a prisão em flagrante em preventiva, citando risco à ordem pública e histórico criminal do indiciado. “O custodiado foi surpreendido filmando mulheres que utilizavam o vaso sanitário de restaurante. Há alta probabilidade de que as filmagens ocorreram em outras ocasiões ou lugares”, afirmou o magistrado.
O juiz destacou ainda que, apesar da pena prevista no artigo 216-B do Código Penal ser inferior a quatro anos, a reincidência em crimes dolosos justifica a prisão preventiva, conforme artigo 313, II, do Código de Processo Penal. O processo foi encaminhado à 2ª Vara Criminal de Brasília.
Histórico de crimes
Jonathan Alves Ramos possui 21 passagens pela polícia, incluindo:
- Sete por importunação sexual;
- Seis por registro não autorizado da intimidade;
- Tentativa de estupro;
- Ato obsceno;
- Porte de drogas para uso próprio;
- Peculato;
- Furto.
Em junho de 2022, ele foi investigado por fotografar uma estudante de 22 anos dentro de um banheiro do campus Darcy Ribeiro da Universidade de Brasília (UnB). Antes disso, em maio de 2022, havia sido condenado a cinco meses de prisão em regime aberto por tentar filmar uma mulher enquanto ela usava o banheiro de uma igreja.
O delegado Sérgio Bautzer, da 5ª Delegacia de Polícia Civil, explicou que não foi estipulada fiança devido à identificação de múltiplas vítimas. Jonathan responderá por registro não autorizado de intimidade sexual.
Defesa
Em nota, a defesa de Jonathan Alves Ramos afirmou que ele faz tratamento psiquiátrico e psicológico. “Jonathan carrega a marca de trauma de infância que o atrai para episódios que ele não gostaria de fazer. Tem feito trabalho constante com psicóloga e psiquiatra. Já evoluiu bastante no seu autocontrole. Atualmente são raros os episódios. É importante dizer que ele nunca se mostrou agressivo ou tocou em alguém, apenas se limita a ouvir e/ou ver. Temos trabalhado bastante pela sua cura, ao tempo que o defendemos”, diz o comunicado.