Menu
Brasília

Homem que morreu afogado no Lago pulou para salvar amigo

Arquivo Geral

23/10/2012 7h05

Soraya Sobreira
soraia.sobreira@jornaldebrasilia.com.br

 

A polícia começou a ouvir os depoimentos das testemunhas do caso do despachante de uma empresa de transporte urbano, Valteir Teixeira de Sousa, 38 anos, que morreu afogado no Lago Paranoá na noite de sábado, na região da Península dos Ministros. Os primeiros a comparecer à 10ª Delegacia de Polícia (Lago Sul) foram o condutor e dono da lancha, e um amigo da vítima. Um dos depoimentos contraria as informações iniciais, de que a vítima teria ajudado a desencalhar a embarcação.

 

 

A versão do amigo de Valteir   causou embaraço ao caso. O comerciante V.C.J., 33 anos, que conhecia a vítima há cerca de três anos, contou à polícia que desceu da embarcação para amarrar uma corda e prendê-la em outra lancha que ajudava no socorro. Ele estava acompanhado de outro colega. 

 

“Assim que conseguimos, a lancha começou a navegar. Neste momento, tentei nadar até ela, mas me cansei rapidamente. Então, decidi voltar em direção à margem”, conta. O outro colega, segundo ele, retornou à embarcação.

 

“ninguém viu”

 

Neste momento, ele conta que também chegou a gritar pelo nome do condutor, pedindo para que ele retornasse ao seu encontro. A distância do ponto onde ele estava para a margem, segundo o comerciante, era de aproximadamente 30 metros. “Nesta hora, suponho que o meu amigo achou que eu estava me afogando e também teria pulado na água. Mas ninguém viu este momento, só depois quando ele já gesticulava bastante, dando a entender que estava com dificuldade. Foi assim que se percebeu o que estava acontecendo, mas infelizmente, quando a lancha se aproximou, ele já tinha desaparecido”, relatou a testemunha.

 

Depois do passeio, o grupo de amigos, seis mulheres e quatro homens, pretendia ir a uma festa em Luziânia (GO), município da Região Metropolitana do DF. Oito pessoas serão ouvidas ainda hoje na delegacia. A polícia também deve solicitar os depoimentos dos parentes da vítima.

 

 

O empresário F.P., de 33 anos, que conduzia a lancha,  justificou o que aconteceu durante o passeio como um incidente, mas sem dar muitos detalhes. De acordo com a 10ª DP, caso se comprove alguma irresponsabilidade do condutor, F. pode ser multado, ter a habilitação náutica cassada ou mesmo responder pela morte.

 

 

 

A delegada da 10ª DP, Selma Carmona,  confirma a informação de que havia bebida alcóolica na embarcação. “Mas o condutor assegurou que não bebeu nem percebeu sinais de embriaguez em Valteir”, detalha. “Estamos realizando todo o trabalho de perícia, assim como, o laudo médico”, completa. 

 

 

 Selma ressalta que já foi instaurado o inquérito crimininal para apurar as circunstâncias da morte. “A documentação da lancha modelo Focker 280 e a do proprietário dela estão em dia. Ele é experiente, tem mais de 300 horas de navegação. No entanto, outras questões ainda devem ser apuradas. Vamos ouvir todos os envolvidos para só assim fazer conclusões”, acrescenta.
O corpo da vítima foi velado  em Ceilândia, e depois  levado para ser enterrado em Niquelândia (GO), a 260 quilômetros de Brasília.

 

 

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado