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Brasília

Homem foge após matar ex-mulher com três tiros no Gama

Arquivo Geral

14/08/2012 16h35

 

Kátia Gomes

katia.gomes@clicabrasilia.com.br

 

Mesmo após denunciar diversas vezes à polícia e pedir à Justiça medida protetiva contra o ex-marido, uma mulher de 40 anos foi assassinada, na Quadra 01 do Setor Leste do Gama. A vítima estava dentro da casa da vizinha quando o homem chegou e atirou três vezes contra ela, na altura do tórax. Antônia Cléia Mamedio de Souza não resistiu aos ferimentos e morreu no local. Ele fugiu com a motocicleta da ex.

 

De acordo com a filha da vítima, Brenda Mamedio, 19 anos, na noite de domingo, a mãe havia pedido para que ela e a irmã de cinco anos saíssem de casa para que Márcio da Paz Souza, 36 anos, fosse até lá devolver alguns objetos. “Eles conversaram pelo portão, e ela o deixou entrar para entregar a moto e uma máquina desentupidora”, contou a jovem. Segundo Brenda, os dois se relacionaram por quase dois anos e há dois meses estavam separados por conta das constantes brigas. Eles estavam discutindo o divórcio na Justiça. “Ele nunca havia batido na minha mãe. A primeira vez que ela foi agredida,  resolveu se separar”, conta.

 

Segundo o delegado plantonista da 14ª Delegacia de Polícia (Gama), Alberto Rodrigues, a vítima registrou dois boletins de ocorrência contra Márcio por ameaça e agressão no último mês. “Um foi registrado no dia 20 e o outro no dia 31 de julho”, explica. O delegado acredita que o assassinato tenha sido premeditado. “Ele foi armado atrás dela, então podemos dizer que essa era a sua intenção”, disse.

 

Medo

Segundo Brenda, além da mãe, ela também registrou ocorrência contra Márcio. “Ele já me ameaçou de morte e depois que minha mãe registrou dois boletins de ocorrência contra ele, eu registrei um também. Agora que ele está foragido eu estou morrendo de medo que  volte e faça alguma coisa contra a gente”, desabafa.

 

O delegado explicou que Márcio vai responder por homicídio qualificado e pode pegar de 12 a 30 anos de prisão, se for condenado. 

 

Mais duas vítimas registradas

Outros crimes contra mulheres foram registrados. Uma jovem de 20 foi morta na manhã de ontem por um homem na QNN 1/3 de Ceilândia Norte. O suspeito foi visto por várias testemunhas, mas conseguiu fugir do local.

 

A vítima chegou a ser atendida pelo Corpo de Bombeiros e levada para o Hospital Regional de Ceilândia, mas não resistiu aos ferimentos. Segundo policiais da 15ª Delegacia de Polícia (Ceilândia), o suspeito já foi identificado e deve ser preso em poucos dias. A jovem levou um tiro nas costas.

 

Por volta das 14h de ontem, uma outra mulher foi encontrada morta dentro de um barraco de lona, próximo à Divisão de Combate ao Crime Organizado (Deco), em Taguatinga.  Segundo a polícia, o corpo estava   em estado de decomposição e com o rosto amassado. 

 

Ainda segundo a polícia, o companheiro dela é apontado  como principal suspeito do crime. O nome dele foi mantido em sigilo para não prejudicar as investigações. A polícia aguarda o laudo da perícia do Instituto  Médico-Legal (IML) para saber a causa da morte.

 

Medidas protetivas para intimidar

Somente de janeiro a julho deste ano, a Justiça expediu 7.769 medidas protetivas de urgência, uma média de 37 por dia. O problema é que não há estrutura para acompanhar o cumprimento das medidas. 

 

Segundo a juíza Maria Izabel da Silva, do 1º Juizado de Violência contra a Mulher em Brasília, as medidas protetivas são para intimidar o agressor, mas nem a Justiça ou a polícia consegue averiguar se a pessoa está cumprindo a decisão. “Quando há o descumprimento, a vítima deve comunicar ao juiz, Ministério Público ou à polícia para que ele seja preso. A polícia não tem como colocar um agente acompanhando cada uma das vítimas”, explica. 

 

Dados estatísticos dos processos distribuídos nas diversas delegacias circunscricionais do DF refletem a disposição das vítimas de violência doméstica de mudar a posição de destaque que o Brasil ocupa no ranking dos países onde mais mulheres são assassinadas. 

 

Estatísticas

Outras estatísticas confirmam essa disposição. No Distrito Federal, de 2011 a julho de 2012, a Justiça recebeu mais de 41 mil ações relativas à Lei Maria da Penha (22.920 em 2011 e 18.334 em 2012, até julho). O montante engloba inquéritos, medidas protetivas, flagrantes, entre outros, e supera a distribuição dos quatro primeiros anos de vigência da lei, que ultrapassou 35 mil processos. Isto é, no último ano e meio a demanda no Judiciário local foi 15% maior que a soma dos quatro primeiros anos.

 

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